22:55 10 Julho 2020
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    Altos funcionários dos EUA criticam duramente Pequim durante Conferência de Segurança de Munique. Após "blefe" sobre a Huawei, europeus estão cada vez mais descontentes com a postura dos EUA sobre a China, escreveu analista na Foreign Policy.

    A Conferência de Segurança de Munique, realizada na semana passada na Alemanha, foi utilizada pelos norte-americanos como uma plataforma para criticar a China e atacar a empresa de telecomunicações Huawei.

    Os ataques vieram de todos os lados. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse que a Huawei é um "cavalo de Troia" e que o Ocidente estava "ganhando a luta" contra a China. O secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, alertou que era "hora de acordar" para a ameaça chinesa.

    A líder da oposição norte-americana no Congresso, a democrata Nancy Pelosi, se uniu ao coro dos republicanos e classificou a Huawei como uma "pérfida forma de agressão" chinesa.

    Mas esses "alertas" teriam sido largamente ignorados pelos europeus durante a conferência, acredita o analista Noah Barkin. Para a revista norte-americana, os EUA e a Europa estão "falando línguas completamente diferentes" quando o assunto é China. A possibilidade de formar uma aliança transatlântica contra Pequim seria, neste contexto, "praticamente impossível".

    A administração Trump teria deteriorado as relações com a Europa, ao tomar medidas como se retirar do Acordo de Paris sobre o Clima e do acordo nuclear iraniano. A retirada de tropas norte-americanas do nordeste da Síria sem alerta prévio aos aliados também teria contribuído para que os europeus não confiem "nem no que os EUA fazem nem no que falam".

    Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, em discurso na Conferência de Munique, na Alemanha, em 15 de fevereiro de 2020
    © REUTERS / Andrew Caballero-Reynolds
    Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, em discurso na Conferência de Munique, na Alemanha, em 15 de fevereiro de 2020

    Na conferência de Munique, membros da administração dos EUA "praticamente admitiram" que estavam blefando quando ameaçaram finalizar a cooperação em inteligência com o Reino Unido, caso esse autorizasse a Huawei a operar sua rede de 5G no país.

    "Nós aprendemos que não podemos acreditar em tudo, ou mais provavelmente em nada, do que eles falam", disse um diplomata europeu.  

    O anfitrião da Conferência, veterano diplomata alemão Wolfgang Ischinger, reagiu às constantes críticas dos EUA à China, lembrando que Pequim está enfrentando uma epidemia de coronavírus de proporções históricas, com implicações para toda a comunidade internacional, reportou a Foreign Policy.

    "Acho que a China merece um pouco de compaixão, cooperação, algumas palavras de apoio e encorajamento, ao invés de constantes críticas", ponderou Ischinger.

    A Conferência de Segurança de Munique foi realizada entre os dias 14 e 16 de fevereiro, na Alemanha. O evento é celebrado anualmente e reúne diplomatas e autoridades da área de segurança de diversos países.

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