18:52 22 Setembro 2020
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    Operação prendeu 12 pessoas, inclusive um ex-policial, membros de rede terrorista de ultradireita. A rede estaria planejando ataques contra muçulmanos, requerentes de asilo e políticos.

    Nesta sexta-feira (15), a polícia alemã realizou operações para desmantelar uma rede terrorista de ultradireita, que planejava realizar uma série de atentados.

    "A intenção do grupo era abalar e eventualmente destruir o Estado e a ordem social na República Federativa da Alemanha", disse o porta-voz da procuradoria alemã, Markus Schmitt.

    Pouco depois, o ministro do Interior do estado da Renânia do Norte-Vestfália disse a repórteres que um ex-policial estava entre os membros do grupo. O cargo do policial não foi especificado, mas acredita-se que era de natureza administrativa.

    Quatro dos detidos serão processados por formação e participação de grupo terrorista. Outros oito são acusados de prometer apoio financeiro, armas e demais formas de assistência a atividades terroristas.

    As prisões ocorreram quando a Alemanha combate um aumento da violência e a infiltração de extremistas de extrema-direita nos órgãos de segurança.

    Escultura de Rainer Opolka, instalada na cidade de Dresden, no leste da Alemanha, que simboliza o risco da xenofobia, do ódio e do terrorismo de ultradireita
    © AP Photo / Jens Meyer
    Escultura de Rainer Opolka, instalada na cidade de Dresden, no leste da Alemanha, que simboliza o risco da xenofobia, do ódio e do terrorismo de ultradireita

    Após anos de combate contra o terrorismo islâmico e extremismo religioso, a Alemanha está recalibrando seus esforços para lidar com ameaças internas, reportou o The New York Times.

    A ministra alemã da Justiça, Christine Lambrecht, comentou as prisões, classificando a situação como "uma ameaça terrorista de ultra-direita muito preocupante no nosso país". "Precisamos estar vigilantes e agir de maneira decisiva contra essa ameaça", escreveu a ministra na sua conta no Twitter.

    O ministro do interior, Horst Seehofer, prometeu intensificar a luta contra o extremismo de direita, criando 600 novos cargos especializados na força policial federal e na agência de inteligência. As leis sobre armas e discursos de ódio foram reforçadas em outubro após uma tentativa de atentado a uma sinagoga.

    De acordo com as autoridades, cerca de 12.000 pessoas na Alemanha apoiam ideias de extrema-direita e são consideradas potencialmente violentas.

    Marcha contra a ultradireita

    Neste sábado (15), milhares de pessoas marcharam nas cidades alemãs de Dresden e Erfut contra a ascensão da extrema-direita.

    Os manifestantes protestaram contra alianças secretas de partidos políticos de centro-direita com o partido extremista Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão).

    Manifestantes protestam contra a ascenção da ultradireita na Alemanha, na cidade de Erfurt, em 15 de fevereiro de 2020
    © REUTERS / Bodo Schackow
    Manifestantes protestam contra a ascenção da ultradireita na Alemanha, na cidade de Erfurt, em 15 de fevereiro de 2020

    A divulgação do pacto, que teria sido firmado durante as eleições locais da região da Turíngia, teria levado à renúncia de Annegret Kramp-Karrenbauer, correligionária de Angela Merkel e sua possível sucessora, da liderança do Partido Democrata Cristão (CDU, na sigla em alemão).

    De acordo com um manifestante, o "acordo com a AfD" teria "aberto a porta do poder para a extrema-direita". O objetivo dos protestos seria que "a sociedade civil feche essa porta novamente".

    Durante a marcha, os manifestantes protestaram contra o "pacto com os fascistas", reportou a agência de notícias alemã DW.

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    Tags:
    extrema direita, terrorismo, Alemanha
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