06:45 14 Agosto 2020
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    Um filhote de coala é o novo habitante do Jardim Zoológico de Lisboa. Nascido no mês de julho de 2019, só agora foi apresentado oficialmente ao público.

    O pequeno coala ainda não tem nome e a equipe do zoológico nem sabe o sexo. Só quando o filhote estiver menos dependente do marsúpio, a bolsa que fica na barriga da mãe, é que as tratadoras vão poder manuseá-lo melhor.

    "O coala é um marsupial. O bebê nasce com um mês (de gestação). Depois, vai para a bolsa da mãe. Lá ele fica durante uns seis, sete meses, até ganhar independência. Depois ele começa a sair e ficar no dorso da mãe, até começar a se desligar um pouco", explica à Sputnik Brasil a tratadora Stefane Leandro.

    Tratadora Stefane Leandro com Goolara e o filhote
    © Sputnik / Caroline Ribeiro
    Tratadora Stefane Leandro com Goolara e o filhote

    Goolara, a mãe do filhote, tem quatro anos e essa foi a segunda gestação dela. O filhote nasceu pesando pouco mais de meio quilo e vem se desenvolvendo bem. Para monitorar o crescimento, mãe e bebê precisam ser pesados de duas a três vezes por semana.

    "É muito importante fazermos a pesagem, porque conseguimos controlar se o animal está bem ou não de saúde. Se um coala perder 500 gramas de uma vez já é uma diferença muito grande. Portanto temos que estar muito atentos", diz à Sputnik Brasil a tratadora Ana Rodrigues.

    Preservação da espécie

    Além de Goolara e do filhote, Stefane e Ana cuidam dos outros quatro coalas do Jardim Zoológico de Lisboa. A unidade foi a primeira da Europa a ter exemplares da espécie, que chegaram em 1991. Desde então, o zoológico faz parte do Programa de Conservação in situ de Coalas, em colaboração com a Sociedade Zoológica de San Diego, na Califórnia, que atua na preservação dos animais na Austrália.

    Por causa dos graves incêndios que atingiram o país no final do ano, o programa vai reforçar o apoio financeiro aos profissionais que trabalham no resgate dos coalas.

    "A área das Blue Mountains, onde as equipes estão, ardeu 90%. Até agora, 12 coalas foram resgatados. A operação é dispendiosa e o grande desafio é onde ir buscar o alimento, que são as folhas de eucalipto, naquela zona. Um coala só come os brotos e as folhas jovens. Se apanhamos 50 quilos de folha, que é muito, eles só vão comer 200 gramas. Por isso a preocupação", diz à Sputnik Brasil José Dias Ferreira, curador de mamíferos do Zoológico de Lisboa e responsável pelo fundo de conservação.

    O gestor explica que ainda não se sabe o número de coalas mortos nos incêndios, mas diz que a situação, que já era grave, deve piorar. Os profissionais aguardam a atualização da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), entidade que define listas de espécies ameaçadas de extinção, mas celebram o nascimento do filhote em Lisboa.

    "O nascimento de um coala é sempre um momento importante para o programa, e mais ainda neste momento, dada a situação em que eles estão. Nós não sabemos sequer que estatuto de conservação vão ter. Estão como vulneráveis pelo IUCN, mas com o que se está a passar vai ter um salto negativo, não sei mesmo se não vão passar a criticamente ameaçados. Este nascimento é mais importante por isso, tendo em conta que morreram um bilhão de espécies nos últimos três meses e não se sabe ao certo o número de coalas que morreram", diz José Dias Ferreira.

    O zoológico de San Diego já arrecadou meio milhão de dólares para o reforço ao programa. O de Lisboa deve definir esta semana o montante para doação. Além disso, quem visita o viveiro dos coalas pode contribuir, diexando qualquer valor nos cofrinhos espalhados no local.

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    Tags:
    incêndio florestal, Austrália, coala
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