18:02 05 Abril 2020
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    De acordo com o Ano em Pesquisa da Google, balanço apresentado anualmente pela empresa, o Flamengo foi o segundo termo mais pesquisado pelos portugueses ao longo do ano de 2019.

    É como disse a Marinha portuguesa logo após a final da Libertadores, no post em que parabenizou Jorge Jesus pela conquista: "Onde está um português está Portugal". Com a chegada do técnico, o time foi alçado ao posto de "o Flamengo de Jorge Jesus" em todas as referências, seja nos canais de televisão nacionais, nos jornais impressos, ou na boca do povo português.

    "Agora é que vem esta febre do campeonato brasileiro aqui para Portugal e para a Europa, desde que o Jorge Jesus foi para o Brasil. E isso tem aumentado de forma exponencial", diz à Sputnik Brasil Miguel Marceliano, gerente dos bares Havana e Hawai, que se tornaram a casa da torcida oficial do Flamengo em Lisboa.

    A Embaixada FLA-Portugal

    Tudo começou com a vontade de assistir aos jogos do time do coração. "A gente via pela internet, porque não passava em nada, e aí resolvemos começar a procurar lugares para ver os jogos. A gente achou um bar, começou a assistir lá em um grupo pequeno, 10 pessoas, e aí logo na primeira final do carioca já tinham 230 pessoas, isso foi em 2016", conta à Sputnik Brasil Leonardo Mesquita, um dos fundadores do grupo e atual diretor.

    De lá pra cá, a turma só cresceu. Os organizadores entraram em contato com o Flamengo e registraram o grupo no programa oficial de consulados internacionais do clube, que reúne sócio-torcedores em vários países. Depois de algumas mudanças de nome, a Embaixada FLA-Portugal é, hoje, a maior torcida do Flamengo fora do Brasil.

    A fama do grupo atrai também nomes emblemáticos da história do time. "O Zico fomos encontrar no aeroporto aqui em Lisboa, levamos um cachecol da embaixada. O Julio Cesar falamos que é nosso padrinho, está sempre em todos os jogos, ajudou a gente a crescer. O Sávio também vai. Outro dia também foi o Joel Santana", conta Leonardo.
    Torcedores do Flamengo em Portugal com o ex-treinador Joel Santana
    © Foto / Embaixada FLA-Portugal
    Torcedores do Flamengo em Portugal com o ex-treinador Joel Santana

    Para comportar o sucesso, a Embaixada mudou de sede e, há um ano, estabeleceu parceria com os bares Havana e Hawai. Os dois estabelecimentos já são tradicionais da noite lisboeta, mas o impacto da chegada do grupo é perceptível.

    "Nestes eventos, a casa vende muito mais do que o normal, fatura mais do que o normal. Cada evento é diferente. Nós fazíamos a transmissão dos campeonatos europeus, do português, do inglês, do espanhol. Os portugueses têm tido muito mais interesse em assistir ao brasileiro do que o que tinham", conta o gerente Miguel Marceliano.

    O nascimento da torcida oficial também impulsiona outro setor, o da confecção de artigos esportivos. "Tínhamos pedidos de grupos, mas não com tanta assiduidade como agora. Houve realmente um boom da parte dos torcedores brasileiros. Antes pediam esporadicamente cachecóis, camisetas, coisas assim, mas nestes últimos seis meses houve crescimento de pedidos", conta à Sputnik Brasil Filipe Rosa, do setor comercial da Loja dos Adeptos, que produz as peças vendidas pela Embaixada FLA-Portugal.

    Filipe também conta que a procura aumentou não apenas por parte de grupos organizados. "Fizemos para um grupo particular algumas bandeiras com o rosto de Jorge Jesus já este ano, pedido de brasileiros. Isto vai continuar bem enquanto o Flamengo estiver bem".

    Do Brasil, por Portugal, para o mundo

    Essa boa fase garantiu que nenhum torcedor teve um desgosto profundo com a falta de Flamengo no mundo. O governo do Qatar estimou a chegada de 15 mil torcedores para assistir aos dois jogos do time nas finais do Mundial de Clubes.

    "Chegamos no dia 16. No dia 17 fomos para o jogo e encontramos aquele clima de festa típico de brasileiros", conta à Sputnik Brasil Eduardo Almeida, que saiu de Portugal para o Qatar com um amigo.
    Foto de Eduardo com o amigo Erick Lacerda
    © Foto / acervo pessoal
    Foto de Eduardo com o amigo Erick Lacerda

    A viagem também serve para aprofundar os laços entre os torcedores. "Temos um amigo que trabalha para o Exército do Qatar dando aulas de Brazilian Jiu Jitsu e ele nos recepcionou aqui. Depois foram dias de muitos passeios, dentro da cultural local. A torcida dentro do estádio está bem unida e tenta ficar o máximo que pode junta", diz Eduardo.

    O sentimento de união passa também pela confiança dos torcedores na permanência de Jorge Jesus. A vitória no Mundial de Clubes não veio, mas a expectativa é por um 2020 de mais trabalho para o português.

    O técnico deve embarcar para a terra natal no próximo dia 23, para as festas de fim de ano com a família, e vai receber mais um prêmio. Jorge Jesus será condecorado pelo presidente com a Ordem do Infante Dom Henrique, "pelo prestígio que o seu trabalho como treinador lhe granjeou, bem como a Portugal", lê-se no comunicado da Presidência da República.

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