15:14 08 Agosto 2020
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    EUA aprovam legislação para impor sanções a empresas e indivíduos envolvidos na construção dos novos gasodutos Nord Stream 2. As sanções podem prejudicar o fornecimento de gás natural para a União Europeia.

    O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, rejeitou os planos dos EUA de impor sanções ao gasoduto Nord Stream 2, que fornecerá gás natural para a Alemanha.

    ​"Decisões na política energética europeia estão sendo tomadas na Europa. Nós rejeitamos interferência estrangeira e, como princípio, sanções extraterritoriais", ministro das Relações Exteriores Heiko Mass sobre possíveis sanções dos EUA contra Nord Stream 2

    O Comitê Econômico da Alemanha condenou as ameaças de sanções como um "insulto à soberania europeia" e "interferência inadmissível" nos assuntos internos do bloco.

    "A introdução destas sanções criará pressões consideráveis nas relações transatlânticas", declarou o Comitê em comunicado.

    Corrente do partido alemão A Esquerda pediu que o governo aplique retaliações, caso os Estados Unidos apliquem sanções. O partido propôs a imposição de tarifas ao gás natural liquefeito norte-americano.

    "O governo deveria reagir imediatamente, usando todas as medidas diplomáticas disponíveis e medidas específicas contra a ameaça de sanções norte-americanas ao Nord Stream 2", disse o parlamentar Klaus Ernst em comunicado à imprensa.

    Nesta terça-feira (10), o Congresso dos EUA acordou o orçamento de defesa para 2020, que inclui diversas medidas para "conter a Rússia", entre elas a imposição de sanções contra os gasodutos Nord Stream 2 e Corrente Turca, ambos projetados para escoar a produção russa de gás natural.

    Nord Stream 2

    O projeto Nord Stream 2 consiste na construção de dois gasodutos, com capacidade total de 55 bilhões de metros cúbicos de gás anuais, ligando a costa da Rússia à Alemanha através do mar Báltico. O gasoduto atravessará águas territoriais da Rússia, Finlândia, Suécia, Dinamarca e Alemanha.

    A Ucrânia se opõe ao projeto, uma vez que o gás russo deixaria de passar pelo seu território. As taxas impostas ao trânsito da commodity é uma importante fonte de renda para Kiev.

    Homem observa tubo de gás que faz parte do projeto Nord Stream
    © AP Photo / Jens Meyer
    Homem observa tubo de gás que faz parte do projeto Nord Stream

    Os EUA opõem-se ao projeto por terem interesse em vender gás natural liquefeito ao lucrativo mercado europeu. Washington argumenta que o gasoduto aumenta a dependência europeia da Rússia e representa uma ameaça à segurança do Velho Continente.

    O presidente da câmara de comércio Rússia-Alemanha, Matthias Shepp, acredita que a questão da dependência é "argumento falacioso" dos EUA:

    "Uma visão sóbria dos fatos mostra claramente que nós [a Europa] somos menos dependentes do gás russo do que os russos são dependentes das divisas que recebem pelas exportações de gás para a Europa", disse Shepp.

    De acordo com o jornal alemão DW, 627 empresas estão envolvidas na construção dos gasodutos. A russa Gazprom teria garantido que seria capaz de terminar a construção do gasoduto, mesmo se as empresas europeias precisarem se retirar do projeto:

    "Nós vamos completar a construção do gasoduto de uma forma ou de outra", disse um funcionário da empresa. "As sanções, se elas vierem, apenas irão atrasar a construção e torná-la mais cara. Mas não vão inviabilizá-la", declarou.

    A legislação aprovada nesta quarta-feira concede ao governo de Trump 60 dias para identificar as empresas e os indivíduos que prestam esses serviços ao projeto e permite o bloqueio de suas propriedades.

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    Tags:
    sanções, EUA, Nord Stream, Europa, Alemanha
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