17:54 09 Dezembro 2019
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    Visita da ativista Greta Thunberg a Lisboa, 3 de dezembro de 2019

    'Vão ter que mudar', diz ativista Greta Thunberg sobre Bolsonaro e Trump em retorno à Europa

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    A ativista Greta Thunberg chegou em Lisboa na tarde desta terça-feira (3), 21 dias depois de sair dos EUA a bordo de um veleiro. A jovem sueca retorna à Europa para participar da COP 25, a conferência da ONU sobre alterações climáticas.

    Greta foi recebida com muito entusiasmo e apoio, não apenas dos lisboetas, mas de vários grupos ativistas pelo meio ambiente e de políticos portugueses. O prefeito de Lisboa, Fernando Medina, destacou a importância da luta de Greta, que considera ser "alvo de muita crítica e de muita incompreensão". "É um grande privilégio ter você aqui, que é uma das vozes mais marcantes lutando por todos nós", disse Fernando Medina em discurso após a chegada de Greta.

    A jovem também falou ao público e respondeu perguntas dos jornalistas. Greta se disse muito feliz e agradeceu pela "calorosa recepção". O posicionamento crítico se manteve forte. "Nenhum país do mundo está fazendo o suficiente" pelas causas ambientais, disse a ativista. "Todas as pessoas têm que fazer o que puderem para garantir que estão do lado certo da História. Para alcançarmos a mudança precisamos de todos. Espero que cada um de vocês se engaje e comece a lutar pelo futuro também", acrescentou.

    Amazônia em pauta

    Questionada sobre as condutas dos presidentes Jair Bolsonaro, que acusou o ator Leonardo DiCaprio de financiar as queimadas na Amazônia, e Donald Trump, que já faz inúmeras críticas a ela própria, Greta disse que é um reflexo esperado.

    • Greta Thunberg chegou em Lisboa em 3 de dezembro, 21 dias depois de sair dos EUA a bordo de um veleiro
      Greta Thunberg chegou em Lisboa em 3 de dezembro, 21 dias depois de sair dos EUA a bordo de um veleiro
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    • Visita da ativista Greta Thunberg a Lisboa, 3 de dezembro de 2019
      Visita da ativista Greta Thunberg a Lisboa, 3 de dezembro de 2019
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    • Greta Thunberg discursa para apoiadores ao chegar em Lisboa após 21 dias a bordo de um veleiro
      Greta Thunberg discursa para apoiadores ao chegar em Lisboa após 21 dias a bordo de um veleiro
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    • Manifestantes exibem faixas de protestos na recepção de Greta Thunberg em Lisboa
      Manifestantes exibem faixas de protestos na recepção de Greta Thunberg em Lisboa
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    •  Coletivo Alvito convocou os presentes para assinarem uma petição pública para apoiar a proteção da Amazônia
      Coletivo Alvito convocou os presentes para assinarem uma petição pública para apoiar a proteção da Amazônia
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    Greta Thunberg chegou em Lisboa em 3 de dezembro, 21 dias depois de sair dos EUA a bordo de um veleiro
    "Quando as pessoas que têm o poder te criticam dessa forma, isso significa que você está causando impacto e que está trazendo mudança. Muitas pessoas não querem isso e é claro que elas farão o possível para evitar que a mudança aconteça. Mas as outras continuam a fazendo acontecer. Nós vamos garantir que eles terão que mudar", disse a ativista.

    Minutos antes de Greta, um outro jovem trouxe o discurso de proteção à Amazônia para o centro das atenções. "O mundo precisa saber que a Amazônia está sendo assassinada", disse ao público o estudante brasileiro Abel Rodrigues, de 19 anos.

    ​Natural do Pará e de descendência indígena, Abel mora em Portugal há um ano. O estudante entrou em contato com os organizadores da recepção de Greta, com o propósito de entregar uma carta para a ativista. Acabou convidado para dividir o palco com ela.

    "Minha carta alerta para o que está acontecendo lá. Um ecocídio, porque estão acabando com a maior floresta do mundo, e também um genocídio, porque a população nativa está sendo morta. Não só pela violência local, mas pelo própria atividade ilegal de madeireiros. Eu gostaria que a carta ajudasse a reforçar essa mensagem, acredito que a Greta pode fazer isso", contou Abel à Sputnik Brasil.
    O estudante brasileiro Abel Rodrigues, de 19 anos, participou da recepção à ativista Greta Thunberg, em Lisboa
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    O estudante brasileiro Abel Rodrigues, de 19 anos, participou da recepção à ativista Greta Thunberg, em Lisboa

    Entre o público também se viam outros pedidos de proteção à Amazônia. O Coletivo Alvito, grupo que tem como um dos fundadores a atriz Lucélia Santos, convocou os presentes para assinarem uma petição pública online, que será entregue ao Parlamento português. “Pedimos um posicionamento claro do governo português em relação a essa questão. A gente precisa muito da pressão externa, que eles fiquem de olho no que está acontecendo lá”, disse à Sputnik Brasil Silvana Ferreira, integrante do coletivo.

    Greta Thunberg já demonstrou preocupação com a Amazônia anteriormente. Em agosto, logo depois de desembarcar no Estados Unidos, disse que a situação das queimadas era "desastrosa". Em Lisboa, deixou claro que quer fazer as vozes "da região sul do planeta" serem ouvidas.

    Conferência do clima

    Originalmente, a COP 25 deveria ter sido realizada no Brasil, mas em novembro de 2018 o presidente Jair Bolsonaro alegou falta de recursos e decidiu que o país não receberia o evento, que passou para o Chile.

    Greta saiu da Europa em agosto com destino aos Estados Unidos, também em uma embarcação, para evitar a poluição causada por aviões. Lá, fez um forte discurso na Cúpula do Clima, no dia 23 de setembro. O objetivo era seguir para o Chile, mas o cenário de instabilidade no país fez com que o evento fosse transferido para a Espanha. "Parece que dei meia volta ao mundo na direção errada", escreveu Greta na época em seu perfil no Twitter.

    ​Na abertura da COP 25, nesta segunda-feira (2), o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, convocou todos os países a "ultrapassarem as suas atuais divisões e a encontrarem um entendimento comum" para combater as alterações climáticas.

    A conferência reúne representantes de cerca de 200 países e vai até o próximo dia 13. Ao contrário do que estava previsto, Greta decidiu passar mais alguns dias em Lisboa antes de seguir para Madri. A viagem, desta vez, será por terra firme, de trem.

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    Tags:
    Amazônia, Jair Bolsonaro, Donald Trump, meio ambiente, ativismo, Conferência do Clima
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