19:33 09 Dezembro 2019
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    Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres antes de embarcar para a Conferência de Líderes da OTAN, em 2 de dezembro de 2019

    OTAN sobrevive à Conferência de Londres? Conheça temas críticos que serão tratados no encontro

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    "Renovação da OTAN é inevitável", disse Erdogan antes de embarcar para a conferência da aliança, que promete ser contenciosa. Temas como a Turquia, gastos de defesa e a declarada "morte cerebral" da aliança estão entre os principais desafios, acredita o ex-secretário da organização.

    Pouco antes de embarcar rumo a Londres para participar da Conferência da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o presidente da Turquia, Reccep Tayyip Erdogan, disse que a renovação da aliança é inevitável.

    "A renovação da OTAN é inevitável. A Turquia espera que seus aliados busquem formas de aprofundar a cooperação [...] e demonstrem solidariedade em relação à [nossa] luta contra o terrorismo", disse o presidente turco.

    Erdogan lembrou que a Turquia é "um país indispensável para a OTAN" e defendeu que todos os países membros "estão obrigados a apoiar a reforma da aliança".

    Presidente da Turquia em conferência de imprensa antes de embarcar para a Conferência de Líderes da OTAN, em Londres, no dia 03 de dezembro de 2019
    © REUTERS / Serviço de Imprensa da Presidência
    Presidente da Turquia em conferência de imprensa antes de embarcar para a Conferência de Líderes da OTAN, em Londres, no dia 03 de dezembro de 2019

    A Turquia quer que a OTAN classifique oficialmente a milícia curda Unidade de Proteção Popular (YPG) como "organização terrorista". A YPG é componente fundamental das Forças Democráticas da Síria (FDS), apoiadas pelos EUA.

    Caso não receba apoio de seus aliados, a Turquia pode vetar os novos planos de defesa da aliança para a Polônia e países bálticos.

    Bandeira da milícia curda YPG na rua central da cidade de Afrin, na Síria
    © Sputnik / Mikhail Alaeddin
    Bandeira da milícia curda YPG na rua central da cidade de Afrin, na Síria

    Em resposta à acusação de vários países europeus de que a Turquia estaria "chantageando" a OTAN, fonte militar turca ouvida pela Reuters rebateu:

    "Não existe chantagem turca e uma declaração dessas é inaceitável. A OTAN é uma instituição na qual a Turquia tem direito a veto [...] existem procedimentos", declarou a fonte.

    Conferência da OTAN em Londres

    Os líderes da OTAN deverão tratar de três temas bastante polêmicos na Conferência, disse o ex-secretário-geral da aliança, Anders Fogh Rasmussen, em entrevista à rádio dinamarquesa DR.

    O primeiro seria o ceticismo do presidente norte-americano em relação ao princípio fundamental da aliança: o acordo de defesa mútua. Trump colocou em dúvida a obrigação dos EUA de defenderem seus aliados, uma vez que eles não investiriam o suficiente em defesa.

    Presidente e primeira-dama dos EUA embarcam no avião presidencial com rumo à Conferência de Líderes da OTAN, em 2 de dezembro de 2019
    © REUTERS / Evan Vucci
    Presidente e primeira-dama dos EUA embarcam no avião presidencial com rumo à Conferência de Líderes da OTAN, em 2 de dezembro de 2019

    O segundo ponto contencioso é a recente declaração do presidente francês, Emmanuel Macron, de que a aliança estaria sofrendo de "morte cerebral". De acordo com Rasmussen, a fala gerou cisão interna na aliança.

    Por fim, a OTAN deve lidar com a ofensiva turca no nordeste da Síria, que gerou forte oposição de diversos aliados. O ex-secretário-geral teme que a Turquia fique "cada vez mais marginalizada" dentro da aliança.

    Apesar das dificuldades, Rasmussen acredita que "virar as costas para a Turquia" seria uma erro histórico, que deve ser evitado pela OTAN.

    Anders Fogh Rasmussen, secretário geral da OTAN entre 2009 e 2014, acredita que a aliança não deve virar as costas para a Turquia
    © AP Photo / Virginia Mayo
    Anders Fogh Rasmussen, secretário geral da OTAN entre 2009 e 2014, acredita que a aliança não deve "virar as costas" para a Turquia

    A Conferência da OTAN é celebrada entre os dias 3 e 4 de dezembro, em Londres. Nesta terça-feira, (03), os líderes serão recebidos no Palácio de Buckingham pela rainha Elisabeth II. Na quarta-feira (04), reuniões de trabalho devem discutir temas como a China, a segurança cibernética e a presença da OTAN no espaço.

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    Tags:
    Países Bálticos, Polônia, milícias curdas, YPG, ofensiva, Anders Fogh Rasmussen, Donald Trump, Recep Tayyip Erdogan, OTAN
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