17:52 11 Novembro 2019
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    Crise na zona do euro: países deveriam ser autorizados a deixar a moeda única, diz diretor do Banco Central da Hungria

    Euro foi 'erro estratégico', segundo diretor do Banco Central da Hungria

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    Os Estados membros da União Europeia devem reconhecer que a moeda única foi um "erro estratégico" e que os países da zona do euro devem ser autorizados a sair, opinou o governador do Banco Nacional da Hungria, Gyorgy Matolcsy, em entrevista ao Financial Times.

    A Hungria, membro da União Europeia, não adota a moeda única e não tem intenção de fazê-lo. Anteriormente, o Banco Central defendia que o país devia aderir ao euro somente quando a sua economia estivesse fortalecida.

    No entanto, desde a chegada ao poder do primeiro-ministro de extrema-direita Viktor Orban, em 2010, a Hungria tem adotado políticas econômicas distintas daquelas defendidas pelo bloco.

    O governador do Banco Central do país disse que é hora de a Europa "buscar uma saída para a armadilha do euro".

    "Existe um dogma prejudicial de que o euro seria um passo 'natural' rumo à unificação da Europa Ocidental. Mas a moeda única europeia não tem nada de normal", escreveu Matolcsy.

    O economista, que acaba de ser nomeado para um segundo mandato de seis anos na chefia do Banco Central da Hungria, acredita que os países deveriam ser autorizados a se retirar da zona do euro, e aqueles que permanecessem deveriam construir uma moeda única "mais sustentável".

    "Duas décadas após a criação do euro, a maioria dos pilares necessários para uma moeda única bem sucedida ainda não foram criados: um Estado comum, um orçamento cobrindo pelo menos 15-20% do PIB da zona do euro, um ministério e um ministro da Fazenda", explicou.

    Ele também acredita que o Tratado de Maastricht de 1992, que estipula as condições para a adoção da moeda única, deveria ser revisado. Uma das condições estipulada pelo Tratado é que os países tenham déficit fiscal inferior a 3% do PIB, o que a Hungria atualmente cumpre com relativa folga.

    Funcionário do Banco Nacional da Hungria mostra as novas moedas de 200 florins. Na época, criação da moeda teve o objetivo de possibilitar uma transição mais suave para o euro. Desde 2010, a Hungria repensa seus planos de adesão à moeda única.
    © AP Photo / Bela Szandelszky
    Funcionário do Banco Nacional da Hungria mostra as novas moedas de 200 florins. Na época, criação da moeda teve o objetivo de possibilitar uma transição mais suave para o euro. Desde 2010, a Hungria repensa seus planos de adesão à moeda única

    Sob Viktor Orban, a Hungria modificou sua política de emissão de títulos de dívida, preferindo papéis denominados em florins, a moeda local. A medida tem como objetivo reduzir a dependência de moedas estrangeiras.

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    Tags:
    dívida pública, armadilha, coordenação, Euro, Hungria
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