14:48 20 Novembro 2019
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    Primeiro-ministro português e líder do Partido Socialista, António Costa, segurando uma rosa durante a campanha das eleições

    Eleições em Portugal: aliança à esquerda seguirá governando o país?

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    As últimas pesquisas apontam que o Partido Socialista (PS), do atual primeiro-ministro António Costa, terá o maior número de deputados eleitos na disputa do próximo domingo (6). No entanto, isso não significa que o PS vai ter maioria absoluta para governar.

    Portugal vive nos últimos quatro anos sob um governo firmado em uma aliança à esquerda. Para conseguir aprovar seu planejamento, depois de nomeado primeiro-ministro em 2015, António Costa convenceu o Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE) a entrarem no barco. Com os votos dos deputados dos três partidos, o plano do PS foi aprovado e a "geringonça", apelido dado à aliança, seguiu em frente.

    "O primeiro-ministro é muito hábil, conseguiu sempre negociar muito bem com eles. Foi um período de estabilidade quando se esperava que fosse de grande instabilidade. Isso foi a grande surpresa, ninguém acreditava nesta solução", diz à Sputnik Brasil o subdiretor da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, professor Francisco Pereira Coutinho.

    No entanto, o professor destaca que o governo também contou com a sorte. "As coisas resultaram, em minha opinião, porque a geringonça nunca foi verdadeiramente testada. Foi um período de grande crescimento econômico, houve o boom do turismo de Lisboa, não foi preciso tomar decisões muito difíceis. Eu gostaria de ver como isso teria corrido em circunstâncias não tão favoráveis."

    Contramão da Europa

    Os bons resultados econômicos alcançados nos últimos anos, como redução do déficit fiscal, do desemprego e aumento do salário mínimo, fazem com que o PS apareça em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto.

    Para os especialistas, Portugal vive um momento de tranquilidade. "Temos assistido a uma campanha extraordinariamente calma e tem sido porque a apreciação dos portugueses, e dos próprios atores políticos é de que não há nada decisivo em causa nessas eleições", diz o analista político Pedro Marques Lopes.

    Outdoor com o premiê português e líder do Partido Socialista, António Costa
    © AP Photo / Armando Franca
    Outdoor com o premiê português e líder do Partido Socialista, António Costa

    As previsões de reeleição do governo de esquerda reafirmam Portugal na contramão de alguns cenários europeus mais polêmicos. Direita e extrema-direita têm conseguido espaço cada vez maior em países como Polônia, Hungria, República Tcheca, Itália, Espanha e Finlândia.

    "Todas as eleições que tem acontecido recentemente na Europa revestem-se de algum dramatismo, de algumas escolhas vitais para a comunidade. O que não nos deparamos, por não termos, provavelmente, fenômenos extremados dentro da nossa sociedade", analisa Pedro Marques Lopes.

    Para o especialista, a tranquilidade do cenário português pode levar a uma alta abstenção nas urnas e "problemas para o futuro do nosso sistema político partidário".

    Corrida pelos votos

    A "vitória certa" do PS não intimida os demais. Ao todo, 22 partidos concorrem a 230 vagas na Assembleia da República e grande parte deles aposta no discurso sobre a importância do voto para evitar um governo de maioria absoluta.

    O período oficial de campanha dura apenas 15 dias e termina nesta sexta-feira (4). O sábado, além de feriado nacional pelo Dia da República, é também o dia de reflexão, que antecede o pleito.

    Portugal tem mais de 10 milhões e 800 mil eleitores e o voto não é obrigatório.

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    Tags:
    eleições, Portugal, António Costa
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