05:36 19 Setembro 2019
Ouvir Rádio
    Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, recebe a chanceler alemã, Angela Merkel, na Casa Branca

    Merkel: EUA não vão mais defender a Europa de maneira automática

    © AP Photo / Evan Vucci
    Europa
    URL curta
    8181
    Nos siga no

    A Europa e os EUA compartilham valores comuns há décadas, mas os europeus não deveriam contar mais com a assistência militar americana e deveriam procurar outros centros de poder, argumentou a chanceler alemã Angela Merkel.

    Faz 30 anos que o final da Guerra Fria revelou "uma nova narrativa da distribuição global de energia", declarou Merkel a parlamentares em Berlim.

    "Existe uma superpotência militar e econômica, os EUA", com a qual a Europa foi ligada "através de um sistema de valores", ponderou a chanceler alemã.

    Apesar de todas as diferenças, "ainda existe a semelhança entre nós", admitiu ela, mas alertou contra o estabelecimento de expectativas muito altas quando se trata do futuro dos laços EUA-Europa.

    "Os EUA não desempenharão mais automaticamente o papel de defensor da Europa, como durante a Guerra Fria", sentenciou.

    Merkel acrescentou que "devemos fortalecer o vínculo transatlântico" e gradualmente avançar para gastar 2% do PIB em defesa, exatamente o que o governo Trump deseja da Alemanha e de outros aliados da OTAN.

    Presidente francês Emmanuel Macron, a chanceler alemã Angela Merkel, e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante a cúpula do G20 em Hamburgo, em julho de 2017
    © REUTERS / John MacDougall
    Presidente francês Emmanuel Macron, a chanceler alemã Angela Merkel, e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante a cúpula do G20 em Hamburgo, em julho de 2017

    Não está claro se o apelo é um sinal de que Merkel está se curvando à pressão dos EUA. Washington sempre exigiu que a principal economia da Europa aumente seus gastos militares, com o embaixador dos EUA Richard Grenell tentando empurrar Berlim para intervenções no Oriente Médio ou ameaçando realocar tropas americanas baseadas na Alemanha para a Polônia.

    A chanceler alemã há muito tempo defende a redução da dependência da Europa dos EUA, pelo menos em termos de política externa e de defesa. No ano passado, ela disse que é hora das nações europeias "tomarem seu destino com suas próprias mãos", ao se unir ao presidente francês Emmanuel Macron, que também defende maior soberania para a União Europeia (UE).

    Os principais membros do bloco estão cada vez mais descontentes com a maneira como o governo Trump trata de uma variedade de questões, desde o acordo nuclear do Irã em 2015 até o acordo com a China. Merkel, por sua vez, não parece ter estabelecido um forte vínculo pessoal com o presidente dos EUA.

    Mais:

    Saúde de Merkel é um assunto privado da chanceler, acreditam 59,2% dos alemães
    Bolsonaro atualiza Merkel sobre incêndios na Amazônia
    'Não é atitude de presidente': Macron, Merkel e Piñera criticam Bolsonaro em VÍDEO
    Tags:
    segurança, defesa, OTAN, diplomacia, Emmanuel Macron, Donald Trump, Angela Merkel, União Europeia, Europa, Estados Unidos, Alemanha
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar