16:02 21 Maio 2019
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    Retrato de Julian Assange perto da embaixada do Equador em Londres

    WikiLeaks denuncia espionagem de Equador contra Assange

    © REUTERS / Peter Nicholls
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    O Wikileaks denunciou através de sua conta no Twitter que o governo do Equador gravou conversas privadas do ativista e jornalista australiano Julian Assange em sua embaixada em Londres enquanto ele permaneceu lá desde 2012.

    Segundo relatos, o diretor do WikiLeaks há alguns meses encontrou no Twitter uma conta que estava oferecendo publicamente documentos privados sobre Assange e entrou em contato com o autor desse perfil. Era um cidadão espanhol, que se identificou como "Pepe" e que assegurou que possuía uma vasta gama ficheiros de áudio, vídeos e outros "documentos sensíveis" relacionados com Assange.

    O Equador gravou conversas privadas de Assange na embaixada. Isso incluía reuniões com médicos e advogados

    Entre os exemplos oferecidos havia capturas de tela das câmeras de segurança dentro da embaixada do Equador com Assange, bem como fotografias de passaportes e outros documentos, incluindo um papel escrito pelos advogados de Assange e áudios do ativista. Sob supervisão dos policiais, foi realizada uma segunda reunião entre o diretor do WikiLeaks e os alegados extorsionistas, que foi gravada com microfones, tendo Pepe levado um parceiro, onde eles sublinharam que "há muitos meios de comunicação interessados no material" que tinham.

    Então, os extorsionistas indicaram que estavam cientes da investigação policial e decidiram aumentar a proteção do dossiê, no entanto, eles enviaram posteriormente outra comunicação em que reduziram o preço dos dados para metade. De acordo com eldiario.es, em um dos vídeos gravados pelas câmeras de segurança da Embaixada do Equador, no qual Julian Assange aparece, os supostos extorsionistas sobrepõem o logotipo de sua empresa: Agencia6.

    Este é um site de notícias que foi criado em novembro de 2018. O seu director é Pepe Martín. A mídia informou que um grupo de espanhóis tinha à sua disposição vídeo e documentos pessoais de Assange, que eles estavam dispostos a não publicar por US$ 3,3 milhões (R$ 13 milhões).

    Advogados do fundador do WikiLeaks entraram com uma ação judicial contra o grupo de espanhóis, bem como contra funcionários da Embaixada do Equador em Londres e o Ministério das Relações Exteriores do Equador por "extorsão", informou a agência AFP, citando uma fonte da equipe de defesa de Assange.

    Assange foi detido no dia 11 de abril após passar 7 anos na embaixada equatoriana porque Quito suspendeu seu asilo. O presidente do Equador, Lenín Moreno, acusa Assange de violar o acordo de convivência feito para garantir a permanência dele na embaixada.

    Os Estados Unidos acusam Assange de conspirar com a ex-soldada do Exército dos EUA, Chelsea Manning, e ajudá-la a invadir um computador secreto do governo americano, além de vazar dados relacionados às atividades dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque, ao centro de detenção de Guantánamo e a diplomatas dos EUA. Em 2016, o WikiLeaks publicou e-mails comprometedores do Comitê Nacional Democrata, o órgão regulador formal do Partido Democrata, antes da eleição presidencial dos EUA em 2016, na qual Clinton estava concorrendo como candidata democrata.

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    Tags:
    embaixada, acusação, espionagem, Julian Assange, Londres
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