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    Polêmica: muçulmanos ocidentais são 'mais propensos' a serem extremistas, diz estudo

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    Os muçulmanos nascidos e criados no Ocidente são mais propensos a apoiar ideias extremistas do que aqueles que nascem em outro lugar e que depois emigram para o Ocidente, revelou um novo estudo de pesquisadores de uma universidade sueca.

    Embora seja comum acreditar que a ameaça do extremismo islâmico vem de fora do Ocidente — o que muitas vezes leva a pedidos de menor imigração de lugares como Oriente Médio e Norte da África — o novo estudo descobriu que os radicais caseiros poderiam ser um problema muito maior.

    Pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, descobriram que o apoio entre muçulmanos nascidos no Ocidente para o extremismo geralmente vem de um sentimento de estar em desvantagem e marginalizado em comparação com a maioria da população desses países.

    Quando você olha para os ataques terroristas que ocorreram na Europa e nos EUA, os pesquisadores disseram que a maioria deles é "planejada e implementada por pessoas que nascem e são criadas no Ocidente".

    Uma das principais descobertas do estudo foi que os muçulmanos nascidos no mundo ocidental identificaram-se mais com os muçulmanos como um grupo e mostraram mais raiva pelo tratamento injusto dos mesmos. Eles também admitiram "uma maior disposição para usar a força" para defender os muçulmanos em todo o mundo.

    As descobertas podem ser explicadas, segundo os pesquisadores, pelo fato de que eles têm "uma forte experiência de estar em desvantagem" em comparação com a pessoa média em sua sociedade, o que resulta em "frustração e raiva".

    Os pesquisadores deram o exemplo da Suécia, onde os muçulmanos que passam toda a sua educação naquele país podem esperar ser vistos como "verdadeiros" suecos por seus pares, mas acham que não são tratados dessa maneira na realidade e ainda são considerados mais como "imigrantes". E não aproveitam tantas oportunidades.

    Os autores do estudo também tiveram o cuidado de emitir uma palavra de cautela sobre a interpretação dos resultados.

    Marginalização na sociedade não é a principal ou única causa de extremismo ou vontade de usar a violência, eles disseram. Foi um dos vários fatores (por exemplo, o apoio ao extremismo também pode ser afetado por círculos de amizade).

    Também foi importante notar, afirmaram, que os muçulmanos nascidos no Ocidente não são mais violentos do que qualquer outro grupo na sociedade e a pesquisa não comparou grupos dessa maneira.

    Finalmente, os pesquisadores avaliaram que era "irônico e trágico" que exista um "círculo vicioso" entre como os muçulmanos são tratados no Ocidente e o extremismo que leva os refugiados do Oriente Médio para o Ocidente.

    "Os muçulmanos que crescem no Ocidente sentem-se excluídos e isso leva a que alguns sejam atraídos para grupos como o Daesh da Síria e o Iraque, que por sua vez causaram enormes fluxos de refugiados para os muçulmanos no Ocidente", explicaram.

    Não está claro com exatidão quantas pessoas foram entrevistadas pelos pesquisadores, mas os resultados foram baseados em vários estudos diferentes, um dos quais incluiu participantes muçulmanos de mais de 20 países diferentes.

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    Tags:
    jihadistas, extremistas, islâmicos, muçulmanos, terrorismo, Daesh, Universidade de Uppsala, Uppsala, África, Oriente Médio, Estados Unidos, Ocidente, Europa, Suécia
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