15:43 18 Junho 2019
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    O novo primeiro-ministro lituano, Saulius Skvernelis, fala durante uma sessão do Seimas da República da Lituânia, em Vilnius, a 13 de dezembro de 2016.

    Com medo da 'ameaça russa', premiê da Lituânia cogita mudar embaixada para Jerusalém

    © AFP 2019 / Petras Malukas
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    O primeiro-ministro da Lituânia, Saulius Skvernelis, disse nesta terça-feira que consideraria a mudança da embaixada do país em Israel de Tel Aviv para a cidade disputada de Jerusalém, caso ele ganhe as eleições presidenciais de maio.

    Skvernelis afirmou que a mudança da missão poderia levar a laços mais estreitos com Israel e os Estados Unidos, que a Lituânia considera um amortecedor de segurança chave contra a Rússia.

    A transferência da embaixada "pode trazer um novo ímpeto para as relações com Israel, tanto nas áreas de segurança e comércio", declarou Skvernelis a repórteres ao chegar à campanha presidencial para delinear suas prioridades de política externa.

    "Nós também enviaríamos um sinal de que os Estados Unidos são nosso parceiro não apenas em palavras, mas também em questões amargas em discussão", acrescentou.

    A decisão do presidente Donald Trump de transferir a embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém rompeu décadas de consenso internacional de que o status controverso da cidade deveria ser resolvido como parte de um acordo de paz entre Israel e os palestinos, que também a afirmam como a capital do seu futuro estado.

    Políticos seniores dos países da União Europeia (UE), República Tcheca e Romênia, disseram que também estão pensando em mudar suas embaixadas para Jerusalém, mas nenhuma decisão foi tomada até agora.

    A UE como um todo mantém a posição de que o status de Jerusalém deve ser negociado por Israel e pelos palestinos.

    Israel ocupou Jerusalém a leste na Guerra dos Seis Dias de 1967 e depois anexou-a em um movimento nunca reconhecido pela comunidade internacional.

    Skvernelis insistiu nesta terça-feira que sua nação "não deve ter medo de diferir dos Estados vizinhos", dizendo que ligações culturais e de segurança fizeram de Israel um dos aliados mais próximos da Lituânia.

    O legado do Holocausto e o estreito alinhamento com os EUA estão entre as razões pelas quais a Lituânia se tornou uma das amigas mais próximas de Israel na UE na última década.

    A presidente prestes a deixar o cargo, Dalia Grybauskaite, que após dois mandatos consecutivos não está disputando a reeleição, "não quis comentar sobre os programas eleitorais", disse sua porta-voz.

    A ministra de Relações Exteriores, Linas Linkevicius, destacou nesta terça-feira que as observações de Skvernelis não marcaram nenhuma mudança na política oficial da Lituânia porque "ele estava falando como candidato presidencial, e não como primeiro-ministro".

    "A posição oficial lituana não mudou: o status de Jerusalém deve ser resolvido por meio de negociações e ambos os lados devem se abster de ações e decisões unilaterais", disse a ministro à Agência AFP.

    Por lei, transferir a embaixada exigiria a aprovação do governo e do presidente.

    A Lituânia vai realizar uma eleição presidencial de duas voltas em 12 e 26 de maio.

    Em pesquisas de opinião recentes, Skvernelis estava atrás do economista independente Gitanas Nauseda e da ex-ministra conservadora Ingrida Simonyte.

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    Tags:
    russofobia, diplomacia, relações bilaterais, embaixada, União Europeia, Ingrida Simonyte, Gitanas Nauseda, Linas Linkevicius, Dalia Grybauskaite, Donald Trump, Saulius Skvernelis, Estados Unidos, Rússia, Europa, Jerusalém, Lituânia
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