09:59 16 Novembro 2018
Ouvir Rádio
    Avião militar italiano do Eurofighter Typhoon patrulha sobre os Bálticos durante uma missão da vigilância aérea da OTAN a partir da base aérea de Zokniai, perto de Siauliai

    França e Alemanha trocam farpas sobre projeto de novo jato de combate, diz revista

    © REUTERS / Ints Kalnins
    Europa
    URL curta
    672

    A França ameaçou cancelar um projeto franco-alemão para desenvolver um caça a próxima geração, a menos que a Alemanha concorde em permitir a exportação ilimitada dos aviões de guerra, mesmo para países envolvidos em conflitos, informou a revista alemã Der Spiegel nesta sexta-feira.

    A publicação, citando um telegrama confidencial enviado pelo embaixador alemão na França, disse que as autoridades francesas esclareceram sua posição durante uma reunião em Paris em 21 de setembro.

    O funcionário não pôde ser encontrado para comentar o fato no Ministério da Defesa da Alemanha, que está supervisionando o projeto, nem estava disponível no Ministério da Defesa da França e na presidência da França.

    O projeto foi anunciado pela primeira vez pela chanceler alemã Angela Merkel e pelo presidente francês Emmanuel Macron em julho de 2017, juntamente com planos para desenvolver um novo tanque.

    Durante a reunião de setembro, Claire Landais, secretária-geral da França para defesa e segurança nacional, disse que as exportações ilimitadas são "uma parte central do financiamento do projeto" e que a França considera "essenciais as garantias de longo prazo para futuras exportações do equipamento", pontuou a Der Spiegel.

    "Somente quando tais garantias forem feitas, a luz verde política pode ser oferecida por bilhões de euros em investimentos", disseram as fontes citadas por Landais.

    Na semana passada, o chefe de defesa da Airbus, Dirk Hoke, alertou a França contra a exigência de uma parte muito grande do programa, dizendo que isso poderia acabar com suas chances de aprovação pelo Parlamento alemão.

    A Airbus concordou em deixar seu concorrente, a francesa Dassault Aviation, assumir a liderança no desenvolvimento de uma nova aeronave de combate, mas isso não significava que a França administraria o projeto geral, que também incluirá aeronaves não tripuladas e outras armas, comentou Hoke ao site francês La Tribune.

    A Dassault Aviation e Airbus, os respectivos parceiros industriais da França e da Alemanha, não puderam ser imediatamente localizados para comentar o assunto.

    O relatório da Der Spiegel e os comentários de Hoke revelaram a continuação das tensões sobre o ambicioso empreendimento de dois países com pontos de vista muito diferentes sobre as exportações de armas.

    O governo da chanceler alemã interrompeu as entregas de armas à Arábia Saudita em protesto pelo assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi dentro do consulado saudita em Istambul em 2 de outubro, um assassinato que ela chamou de "monstruosidade".

    A reação da França ao caso Khashoggi foi mantida até hoje, já que Paris tenta manter sua influência em Riad e proteger as relações comerciais que abrangem energia, finanças e armamentos.

    Macron disse nesta sexta-feira que pedidos de vários países da União Europeia (UE), incluindo a Alemanha, suspendem as vendas de armas para a Arábia Saudita desde que o assassinato de Khashoggi cheirava a "demagogia" populista.

    O presidente-executivo da Airbus, Tom Enders, criticou a posição da Alemanha em declarações ao Der Spiegel. "Berlim não pode exigir constantemente a cooperação europeia, mas depois recua quando chega a ser concreta", comentou.

    A Alemanha, acrescentou, estava sinalizando a Paris que não considerava a política externa e de segurança francesa responsável.

    Mais:

    EUA, França, Alemanha e Canadá apoiam avaliação de Londres quanto ao ataque de Salisbury
    Força Aérea da Alemanha substituirá a França na segurança dos países bálticos
    Alemanha e França propõem criação de Conselho de Segurança da União Europeia
    Tags:
    eurofighter, defesa, aviação militar, relações bilaterais, Airbus, Dassault, União Europeia, Tom Enders, Dirk Hoke, Claire Landais, Emmanuel Macron, Angela Merkel, Alemanha, França
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik