00:10 17 Novembro 2018
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    Homem observa tubo de gás que faz parte do projeto Nord Stream

    Acordo arriscado de gás entre Polônia e EUA é uma tentativa de manipular a Rússia?

    © AP Photo / Jens Meyer
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    A Polônia assinou um acordo de 20 anos com uma empresa norte-americana produtora de gás natural. Os poloneses foram motivados pelo desejo de reduzir a dependência do gás natural fornecido pela Rússia.

    Ainda não está claro se o novo contrato, que obriga a Polônia a comprar 2 milhões de toneladas de combustível por ano, irá ser rentável para Varsóvia.

    Segundo o diretor da empresa de gás natural polonesa PGNiG, Piotr Wozniak, o valor a ser pago à empresa norte-americana será em torno de 20 ou 25 por cento menos que o valor pago pelo gás russo. No entanto, esse aparenta ser um contrato repleto de riscos.

    O contrato prevê que a Polônia seja obrigada a comprar gás natural a duas subsidiárias da Venture Global, empresa norte-americana, em uma base FOB (free on board) a partir de 2022, no mesmo ano em que o acordo com a Rússia de fornecimento de gás natural terminará.

    Atualmente, dois terços do gás consumido na Polônia são fornecidos pela Rússia e, com esse acordo, os poloneses acreditam que irão reduzir sua dependência energética em relação a Moscou. Ao ser questionado sobre o acordo de alto risco com os EUA, o ministro da Energia da Polônia, Krzysztof Tchorzewski, enfatizou que "no contexto polonês, esse gás é um bem civilizacional".

    Além disso, o país acredita que possa revender o gás adquirido pelos EUA a outros países. É provável que os exportadores poloneses tenham em mente o rápido crescimento do mercado de energia na China, o que cria grandes expectativas de negócio.

    Outro fator que motiva os poloneses é a elevação das tarifas aplicadas por Donald Trump contra Pequim, já que a China está fazendo com que as compras chinesas de gás e petróleo nos EUA diminuam drasticamente. Sendo assim, a Polônia poderá ter um papel de intermediário entre os dois rivais, além da possibilidade de, juntamente com a Venture Global, exercer pressão sobre a Gazprom após 2022.

    Em todo caso, os detalhes do acordo não foram revelados, o que levanta uma suspeita sobre os reais benefícios de Varsóvia.

    A condição de free-on-board (FOB) significa que a Polônia será responsável pelo transporte do gás norte-americano, elevando o custo inicial em 30 por cento, o que contradiz a informação de que o gás estadunidense teria um valor menor do que o gás russo.

    Outro fator a ser considerado é que as plantas de Calcasieu Pass e Plaquemines, às quais a PGNiG iria comprar o gás a partir de 2022 e 2023, ainda não estão operacionais. Além disso, a Comissão Federal Reguladora de Energia (FEARC) ainda tem que emitir a permissão para construir essas plantas. Também não há garantias de que a Polônia conseguirá ocupar um nicho no mercado chinês em 2022.

    Um outro fator importante que deve preocupar os poloneses é que a China e a Rússia estão firmando um acordo sobre um segundo gasoduto da Gazprom para entregar 30 bilhões de metros cúbicos anuais de gás natural russo à China, além de que a China tem comprado gás natural no Golfo Pérsico há anos.

    A Polônia está tentando utilizar o gás norte-americano para manipular a Rússia e levá-la a fazer concessões, mas essa não parece ser uma decisão muito inteligente, já que o gás russo possui um custo mais baixo que o gás norte-americano.

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    Tags:
    fornecimento de gás, gás, acordo de cooperação, acordo comercial, gás natural, EUA, Polônia
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