13:24 17 Dezembro 2018
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    Membros da ONG britânica Campanha Contra o Comércio de Armas (CAAT).

    Brexit pode fazer Reino Unido aumentar vendas de armas

    CC BY-SA 2.0 / Campaign Against Arms Trade / Human rights campaigners
    Europa
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    Um aumento considerável nas vendas de armas no Reino Unido em todo o mundo pode ser aumentar após o Brexit no caso de Londres tentar multiplicar o fornecimento de armas a regimes com um histórico de ataque aos direitos humanos, disse à Sputnik Andrew Smith, porta-voz a ONG Campanha Contra o Comércio de Armas (CAAT, na sigla em inglês).

    Documento divulgado pela CAAT indica um considerável aumento nas vendas de armas do Reino Unido, em alguns casos para nações que o próprio governo do Reino Unido considera problemáticas em termos de direito internacional e direitos humanos, como Arábia Saudita e Bahrein, entre outros.

    Em 2017, Londres aprovou acordos de vendas de armas no valor de 1,5 bilhão de libras contra 820 milhões no anterior, segundo dados da ONG.

    "O que vimos e poderemos ter depois do Brexit é que esse governo pode dar maior foco do que já dá sobre a maximização das vendas de armas a esses regimes com abuso dos direitos humanos […]. Grande parte do crescimento veio especificamente da Arábia Saudita, que tem muito a ver com as vendas de caças e de bombas, que afetaram maciçamente o número total", disse Smith.

    Embora um total de 18 nações com "problemas de direitos humanos" tenham sido listadas nos documentos da CAAT como compradoras do Reino Unido, a Arábia Saudita saiu na frente em termos de compras totais, tendo gasto cerca de 1,3 bilhão de libras nas armas do Reino Unido. ao longo de 2017, segundo o porta-voz.

    "Quero dizer que as exportações de armas para a Arábia Saudita poderiam ser ainda maiores do que se pensava, e isso é motivo de preocupação imediata, pois as forças sauditas foram acusadas de graves violações do direito internacional humanitário por especialistas da ONU, Anistia Internacional, Human Rights Watch e quase todos as ONGs respeitadas com pessoas no no Iêmen, e as únicas pessoas que nos dizem o contrário são o governo saudita que nem mesmo é confiável para realizar eleições livres e justas, mas que o Reino Unido confia para fazer auditorias em si mesmos em relação a crimes de guerra " Smith sublinhou.

    Para o porta-voz, Londres é "cúmplice" na destruição do Iêmen, uma vez que fornece armas à Arábia Saudita, que lidera a coalizão que realiza ataques contra os rebeldes iemenitas, observou o porta-voz.

    Os ativistas de direitos humanos estão especialmente preocupados com o suposto uso das Licenças Abertas de Exportação Independentes (OIELs, na sigla em inglês) no Reino Unido para entregar armas a regimes controversos.

    De acordo com a CAAT, as OIELS foram usadas anteriormente para exportar supostamente "materiais menos sensíveis", ou seja, sem supervisão devida em relação a quantidade ou uso, o que pode ter feito com que o valor total de tais exportações possa ser maior do que o originalmente estimado.

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    Tags:
    direitos humanos, comércio de armas, CAAT, Andrew Smith, Estados Unidos, EUA, Reino Unido
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