07:55 22 Outubro 2018
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    A bandeira da OTAN vista através de cerca farpada em frente à nova sede da OTAN em Bruxelas, maio de 2017

    Para quem OTAN está perdendo sua supremacia aérea?

    © REUTERS / Christian Hartmann
    Europa
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    A OTAN aprovou uma nova estratégia conjunta para as forças aéreas e reconhece que a realização de futuras operações da aliança poderá ser dificultada pelos modernos sistemas de defesa antiaérea e recursos espaciais.

    Pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria, o bloco poderá perder sua supremacia aérea, assim como se confrontar com a possibilidade de conduzir operações contra um adversário de igual para igual. A Força Aérea é o principal componente militar da OTAN.

    A que países se refere exatamente a tese sobre a incapacidade de garantir a supremacia aérea da aliança? Será que se refere aos países membros, incluindo a República Tcheca, que não pagam os obrigatórios 2% do PIB aos cofres do bloco? Em entrevista à Sputnik República Tcheca, Ivan Kratochvíl, tenente-coronel das Forças Armadas da República Tcheca, opinou sobre o assunto.

    "A impossibilidade de garantir superioridade aérea é uma ameaça para forçar a compra dos sistemas de armamento dos EUA, aumentar os gastos militares, fazer a manutenção da infraestrutura, com dinheiro europeu, mas em conformidade com as regras norte-americanas. Desde a Segunda Guerra Mundial, a OTAN direcionou todas as ações militares visando o princípio de atingir a supremacia aérea. Em geral, o conceito é correto", comentou.

    Ele acrescentou que, ao analisar superficialmente o exército de cada país, é possível entender o caráter de sua estratégia – atacar ou defender.

    "Países que têm algumas pretensões territoriais ou querem implementar sua política em outros Estados, primeiramente criam Forças Armadas potentes, incluindo grupos aeronavais, o que permite impor posteriormente sua política a outros países", salientou Kratochvíl.

    Segundo ele, a realização bem-sucedida dessa estratégia pela OTAN permite aos EUA ditar suas condições ao resto do mundo.

    "Como exemplo, é possível citar diversos conflitos que têm ocorrido desde a Segunda Guerra Mundial até o momento atual. E não são apenas conflitos. Aqui podemos citar o desarmamento da República Tcheca, Hungria, Polônia, a devastação das repúblicas pós-soviéticas", disse.

    A combinação preferida dos EUA é usar as forças terrestres estrangeiras em lugar do Exército norte-americano para alcançar o resultado final. Esses são exércitos de diversos regimes fantoches, assim como grupos jihadistas. Em dois casos, o Exército dos EUA não aplicou esse princípio – na Coreia e no Vietnã. Os dois conflitos tiveram impacto negativo no desenvolvimento político interno dos EUA.

    Se os EUA, portanto a OTAN, reconhecerem que podem perder sua supremacia aérea, isso significa que a Pax Americana está chegando ao fim e os EUA terão de cumprir as regras elementares de decência e do direito internacional. Não que eles queiram, mas serão obrigados a isso pelas potências emergentes. Hoje estas potências são certamente a Rússia e a China, mas a Índia e o Irã também começam a desempenhar um determinado papel.

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    Tags:
    forças armadas, estratégia, Exército dos EUA, OTAN, República Tcheca, Índia, Rússia, China, EUA
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