03:54 16 Outubro 2018
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    Imagem de um revólver Taurus, de fabricação brasileira

    Quase 9 em cada 10 armas de fogo do mundo estão nas mãos de civis, diz estudo

    © AP Photo / Lisa Marie Pane
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    Um total de 85% das armas de fogo legais e ilegais do mundo está na mão de civis - excedendo em muito o número de armamentos em posse das Forças Armadas modernas e pelos órgãos de segurança pública, revelou um grupo de especialistas da Suíça.

    Há aproximadamente um bilhão de armas de fogo no mundo, e a grande maioria delas está em mãos civis - não militares -, de acordo com um novo estudo realizado por pela organização suíça Small Arms Survey.

    O grupo, que fornece pesquisa e perícia sobre proliferação de armas e violência armada, examinou a propriedade de pistolas automáticas e revólveres, espingardas, carabinas, rifles de assalto e metralhadoras sub e leves, mantidas por entidades civis, militares e policiais. 

    Estima-se que 857 milhões de armas de fogo, tanto legais como ilícitas, sejam mantidas por civis, incluindo indivíduos, empresas de segurança privada, grupos armados não-estatais e gangues.

    Os EUA lideraram a lista das nações com maior peso, com seus cidadãos possuindo 393 milhões de armas. A figura significa que há aproximadamente 121 armas para cada 100 americanos. Atrás de suas contrapartes americanas estão os indianos, que possuem 71 milhões de armas, e os chineses, que possuem mais de 49 milhões de armas de fogo.

    "A chave para os Estados Unidos, é claro, é sua cultura única de armas", disse Aaron Karp, o autor do estudo. Os americanos, observa o estudo, estão inclinados a possuir armas convertidas de variantes militares.

    "A partir de 2016, 42,3% dos caçadores e atiradores foram acusados de possuir pelo menos um AR15 (rifle estilo M16) ou uma arma de assalto semi-automática, como o rifle estilo AR15 ou Kalashnikov", diz o comunicado.

    O Brasil figura na sexta posição do levantamento, com a estimativa de que 17,5 milhões de armas legais e ilegais estão nas mãos da população civil, superando nações que vivem conflitos armados, sejam os urbanos (no México há 16,8 milhões de armas nas ruas), ou transnacionais (no Iêmen a estimativa aponta 14,9 milhões de armas).

    Discussão nos EUA

    As discussões sobre controle de armas, saúde mental e poderes de aplicação da lei dominaram o discurso público nos EUA de tempos em tempos, tornando-se rapidamente relevantes à luz de tiroteios em massa ou de violência relacionada com armas de fogo. Alguns observadores levantaram preocupações sobre o fácil acesso a armas civis nos Estados Unidos.

    "É loucura, e você sabe, nós licenciamos carros. Você não pode simplesmente entrar em um carro e dirigi-lo", disse Dave Lindorff, um jornalista investigativo, à RT. "Mas você pode pegar uma arma e atirar nela. Você não precisa de nenhum treinamento, você não precisa de nenhum licenciamento", acrescentou ele, referindo-se à "loucura" de alguma legislação que permite o transporte oculto.

    Curiosamente, o número de armas nos arsenais militares é muito menos impressionante, mostra o documento. Os estoques pertencentes às forças armadas em 177 países continham pelo menos 133 milhões de armas de fogo. Rússia, China, Coreia do Norte, Ucrânia e os EUA combinados têm os maiores estoques de armas pequenas.

    O Exército russo possuía o maior arsenal militar de armas de fogo (30,3 milhões), mas anunciou o descarte de mais de 10 milhões de armas em 2010, incluindo quatro milhões de fuzis de assalto Kalashnikov, destacou o Small Arms Survey.

    Muitas armas de fogo de propriedade de militares chegaram a mercados não estatais - e muitas vezes ilícitos -, alertaram os pesquisadores. Um colapso da autoridade do Estado, como o que aconteceu após a invasão do Iraque liderada pelos EUA em 2003, viu agrupamentos terroristas apreendendo armas de arsenais do governo.

    Outros 22,7 milhões de armas de fogo foram detidos por agências de aplicação da lei em todo o mundo, perfazendo um pequeno 2% de todas as armas de pequeno porte no mundo. Enquanto os EUA dominavam a posse de armas por civis, o relatório afirmava que o país era apenas o quinto em participação no aparato judiciário-legal, atrás da Rússia, China, Índia e Egito.

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    Tags:
    metralhadora Kalashnikov, crime, violência, rifle, armas de fogo, militares, civis, Small Arms Survey, Aaron Karp, Dave Lindorff, Coreia do Norte, Rússia, Estados Unidos, Brasil
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