08:35 16 Agosto 2018
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    A usina nuclear Bushehr no Irã (foto de arquivo)

    Irã vai enriquecer urânio, mas europeus veem ameaça de Teerã como 'negócio morto'

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    A decisão do Irã de se preparar para enriquecer urânio é uma tentativa de enviar uma mensagem à Europa, encorajando-a a resistir à pressão dos EUA para abandonar o acordo nuclear, de acordo com analistas. Mas a Alemanha, a França e o Reino Unido podem estar prontos para desistir.

    Na segunda-feira, o Irã anunciou que está mudando para "atualizar" sua instalação de enriquecimento de urânio em Natanz, que foi suspensa sob o marco do acordo de 2015.

    "Nossos inimigos nunca conseguirão interromper o nosso progresso nuclear […] É o seu sonho ruim e não vai acontecer", disse o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, em discurso na televisão. "Eu ordenei que a agência de energia atômica do Irã esteja preparada para melhorar nossa capacidade de enriquecimento de urânio".

    Após a declaração do líder principal, o país prontamente começou os trabalhos preliminares para construir avançadas centrífugas de enriquecimento de urânio. Espera-se que a instalação que vai abrigar 60 dispositivos esteja pronta em um mês, disse na quarta-feira o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi.

    Embora a decisão de obter as centrífugas prontas não violasse o acordo de 2015, oficialmente conhecido como Plano de Ação Compreensivo Conjunto (JCPOA), era na verdade uma mensagem aos europeus para enfrentar a pressão dos EUA e manter o acordo, declarou a membro sênior do Instituto de Estudos Orientais, Irina Fedorova.

    "A ordem do líder supremo para lançar as centrífugas até agora corresponde às restrições descritas no acordo sobre o programa nuclear iraniano", afirmou Fedorova à RT.

    "Naturalmente, isso pode ser visto como um alerta para os signatários do acordo e de outros países, de que se o acordo for quebrado — não apenas pelos EUA, mas pelos outros — o Irã pode começar o processo de enriquecimento de urânio. O lançamento das centrífugas não é o começo do enriquecimento de urânio em grande escala", emendou.

    A mensagem veio enquanto os argumentos em torno do acordo nuclear de 2015 chegaram ao ponto de ebulição, enquanto Donald Trump continua a pressionar seus aliados europeus a segui-lo abandonando o acordo. A questão iraniana pode se tornar, de fato, uma moeda de barganha para manobrar em torno de outras questões pendentes, como as tarifas de aço e alumínio recentemente implementadas pelos Estados Unidos, lembrou Fedorova.

    Os signatários europeus do acordo podem ficar de fora, mas se as empresas europeias, que já começaram a sair do mercado do Irã, acabarem por abandoná-lo completamente, o acordo será efetivamente anulado.

    "Pode acontecer que, mesmo que a França, Alemanha, Grã-Bretanha e outros signatários não rejeitem oficialmente o acordo com o Irã, suas empresas se retirem do Irã e perderão as vantagens econômicas deste acordo, que basicamente era o objetivo do Irã foi assinado", afirmou Fedorova.

    A medida anunciada não violou o acordo e foi projetada para enviar uma mensagem a outros signatários do acordo, disse o vice-diretor do Centro de Estimativas Estratégicas e previsões, Igor Pankratenko. O especialista, no entanto, duvida se seria realmente possível influenciar os países da União Europeia (UE).

    "O que Ali Akbar disse foi destinado às capitais de concreto — Londres, Paris, Berlim. Além disso, ele realmente tentou ajudá-los com essa afirmação, fornecendo-lhes um novo argumento — como se estivéssemos destruindo o acordo, tudo começa desde o começo, voltamos para 2015", disse Pankratenko.

    "Mas o problema é, na minha opinião, que em Londres, Paris e Berlim eles já decidiram que o negócio está morto", prosseguiu.

    A última esperança de "mais ou menos" salvar o acordo vem da China, acredita Pankratenko, dizendo que se uma das economias mais fortes do mundo mantiver suas obrigações, Teerã também pode se abster de retomar as atividades de enriquecimento em grande escala.

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    Tags:
    diplomacia, relações bilaterais, JCPOA, armas nucleares, acordo nuclear, União Europeia, Igor Pankratenko, Donald Trump, Irina Fedorova, Ali Akbar Salehi, Aiatolá Ali Khamenei, China, Estados Unidos, Europa, Irã
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