20:01 22 Outubro 2018
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    Passaporte britânico tradicional

    'Humilhação nacional': passaportes britânicos pós-Brexit podem ser fabricados na França

    © AP Photo / Matt Dunham
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    O governo do Reino Unido anunciou no final do ano de 2017 que retornaria a usar o icônico passaporte azul britânico em 2019. A primeira-ministra Theresa May descreveu a medida como "expressão de nossa independência e soberania".

    No entanto, tudo indica que o contrato de fabricação dos passaportes azuis do Reino Unido será concedido à empresa franco-holandesa Gemalto. O valor total do contrato é estimado em US$ 700 milhões de dólares.

    Em declarações anteriores, foi relatado que os passaportes poderiam ser fabricados na Alemanha ou na França, uma vez que os dois países foram selecionados como possíveis candidatos para o contrato.

    Políticos pós-Brexit criticaram tal decisão e a descreveram como "completamente errada".

    "Acho que isso é no mínimo inapropriado. É absolutamente desnecessário e completamente errado. Quaisquer que fossem as condições que levaram a essa decisão em termos de preço, o fato é que isso é um evento simbólico", comentou o político inglês Bill Cash.

    Enquanto isso, Priti Patel, membro do Partido Conservador do Reino Unido, considerou o movimento como uma "humilhação nacional" e incitou o governo a tentar reverter a decisão.

    "Deveríamos estar celebrando este momento. O retorno do nosso icônico passaporte azul restabelecerá a identidade britânica. Mas depositar o trabalho nas mãos dos franceses é simplesmente surpreendente. É uma humilhação nacional. Gostaria de pedir a Amber Rudd [ministra do Interior do Reino Unido] e ao governo, que olhem novamente para os poderes que possuem para ver o que podem fazer", disse Priti Patel à mídia britânica.

    A possibilidade dos passaportes do Reino Unido serem fabricados fora do Reino Unido causou agitação nas redes sociais, com o renomado empresário britânico Duncan Bannatyne descrevendo-a como "insanidade", enquanto outros debocharam do exagero por causa do retorno do passaporte azul.

    O Reino Unido votou por se retirar da União Europeia através de um referendo em 2016, com pouco mais da metade dos eleitores votando a favor de tal saída. O recente comunicado do acordo de transição Brexit mostra um progresso considerável nas negociações, mas várias questões, como a fronteira irlandesa, ainda estão por ser resolvidas.

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    Tags:
    contrato, humilhação, passaporte, Brexit, Theresa May, Priti Patel, França, Reino Unido
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