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    Enquanto a vida no serviço militar é quase universalmente associada com comentários rudes e uma abundância de palavrões, um estudo interno realizado pelas Forças Armadas norueguesas descobriu que o mau humor lança desafios reais à capacidade de defesa nacional.

    O bullying disfarçado de linguagem rude é prejudicial para o espirito e moral das forças armadas, afirma um estudo norueguês do Instituto de Pesquisa de Defesa (FFI).

    "Você não pode desarmar o bullying simplesmente disfarçando-o de humor", explica o pesquisador na área do humor e professor de medicina na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU), Sven Svebak, à emissora nacional NRK.

    Com pedido de anonimato, um ex-soldado disse à NRK que não é incomum defender as pilhérias chatas ou piadas de mau gosto dizendo simplesmente, "foi brincadeirinha", o que Svebak chamo de uma "estratégia covarde", especialmente quando o comentário foi deliberadamente feito para ser ofensivo.

    "Por este meio você leva o assédio moral ao próximo nível de potência por implicar que a contraparte não apenas é pouco tolerante, mas também não tem senso de humor. Isso é desagradável", apontou Svebak.

    Para contrariar estas coisas, o cientista defende a realização de palestras sobre humor para marcar a linha entre o aceitável e o desrespeito. Quando usado adequadamente, o humor pode ser inspirador e motivador para os soldados, mas quando se usa incorretamente pode enfraquecer a capacidade de defesa em combate, argumentou Svebak.

    "Um comandante com a capacidade de estabelecer relações através de um senso de humor amigável torna-se mais apreciado pelos soldados. Aqueles que optam por um tipo de humor mais agressivo incitam menos motivação, especialmente quando os soldados estão indo para missões perigosas", disse.

    O porta-voz das Forças Armadas norueguesas tenente-coronel Ole Johan Skogmo disse que as forças de defesa se focaram nos assuntos de ética e atitudes em vários cursos educativos e comprometeram-se a avaliar a necessidade de mudar as rotinas de educação. Segundo Skogmo, no entanto, a utilização errada do humor por comandantes pode desestabilizar a capacidade de defesa, quebrando seu sentido de unidade no campo de batalha.

    "É uma questão de vida e morte. Em tempos desafiadores e difíceis, algumas vezes pode ser libertador dar uma boa risada na equipe. Porém, o humor ofensivo não é bem-vindo em qualquer lugar, sobretudo nas forças armadas", frisou o porta-voz militar.

    Svebak apontou dois pré-requisitos para o humor atingir o seu objetivo: aquele que brinca e o destinatário devem se conhecer um ao outro e ter relações amigáveis.

    "Para proteger-se de ser percebido como rude, você não deve brincar com pessoas que você não conhece ou de quem você não gosta", sublinhou o cientista.

    Um quinto das mulheres norueguesas que deixaram o serviço militar optaram por fazê-lo para evitar o assédio e a "cultura machista", afirmou FFI no início deste ano. A intimidação no exército também foi relatada como sendo três vezes mais comum do que em outras atividades, detalhou a NRK.

    "Era usado como uma coisa engraçada o tempo todo. Todos os dias. 'Cuidado, meninos, agora ela vai ficar louca, ela está menstruada'", disse à NRK Lisa, de 21 anos, como exemplo do motivo por que ela foi forçada a desistir de seu sonho de seguir uma carreira militar.

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    Tags:
    Noruega, serviço militar, humor, soldados
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