08:54 24 Agosto 2019
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    Slobodan Praljak, general croata da Bósnia e Herzegovina, sentenciado pelo Tribunal Penal Internacional a 20 anos de prisão, toma veneno em plena sala do tribunal após ouvir a sentença

    Líder de radicais sérvios: ao tomar veneno, general croata 'humilhou' Tribunal de Haia

    © AP Photo / Amel Emric
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    Vojislav Seselj, líder do Partido Radical Sérvio, falou com a Sputnik sobre a falta de vontade de participar em novos procedimentos no Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia, a cooperação com Moscou, a pressão do Ocidente contra a Sérvia, o massacre de Srebrenica e o recente suicídio do general Slobodan Praljak.

    Em fevereiro de 2003, Vojislav Seselj se entregou ao Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia e passou mais de 11 anos na prisão da ONU em Haia, até ser libertado para receber tratamento médico na Sérvia em novembro de 2014.

    Enquanto isso, em março de 2016, Seselj foi completamente absolvido de nove acusações, nomeadamente de crimes contra a humanidade e de violação das leis da guerra no decorrer dos confrontos armados no território da ex-Iugoslávia entre 1991 e 1993. Posteriormente, a promotoria do TPI apelou da decisão do tribunal de primeira instância, estando o julgamento marcado para 13 de dezembro.

    Processos futuros

    Em uma conversa com a Sputnik, o líder do Partido Radical Sérvio afirmou que "não tem nenhum interesse" em participar de novos procedimentos no Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia, embora tenha recebido uma notificação para uma videoconferência.

    "Eles não podem me obrigar. Apenas podem efetuar pressão sobre o presidente sérvio, Aleksandar Vucic, e seu governo, mas não podem me atingir", assegurou.

    Ademais, o entrevistado disse que não irá acompanhar o processo judicial, inclusivamente devido às suas atividades atuais ligadas à literatura.

    "Hoje em dia, estou me debruçando sobre um livro sobre Srebrenica, eu recolhi um monte de materiais, vou lançar duas partes, por isso não tenho tempo para besteiras desse tipo. Eu já ganhei no Tribunal de Haia e todo o mundo viu o modo convincente como o fiz. Eu não pedi que me libertassem, não fiz pedidos, não fiz nenhumas promessas, foram eles que me mandaram sair do Tribunal de Haia. E o que querem de mim então?", sublinhou Seselj.

    Genocídio em Srebrenica

    Falando da sua futura obra literária, o político sérvio destacou que qualifica o conhecido massacre de Srebrenica como ato criminoso, mas não como genocídio. Vale ressaltar que este assassinato em massa, efetuado sob o comando do general Ratko Mladic e com a participação de uma unidade paramilitar sérvia conhecida como Escorpiões, foi o primeiro caso a ser legalmente reconhecido como genocídio na Europa após o Holocausto.

    "Em Srebrenica ocorreu um crime. Foi morto a tiro um grupo de prisioneiros militares muçulmanos, entre 1.000 e 1.200 no máximo, conforme os meus cálculos. O Ocidente acrescentou a este número ainda todos os muçulmanos bósnios que morreram durante uma ofensiva armada. Foi de Srebrenica que a 28ª divisão do exército da República da Bósnia e Herzegovina iniciou a ofensiva. Eles eram constantemente atacados pela nossa artilharia, ficaram nas emboscadas sérvias e em campos de minas", contou.
    Entretanto, o político não se apressou a concordar com a opinião das instituições europeias.

    "Mas eram todos homens, não havia nenhuma mulher, nenhuma criança entre as vítimas. Isto não pode ser visto como um genocídio. É um fato que o crime ocorreu, e eu fui o primeiro na Sérvia a dizer quem foi o culpado e a revelar o nome do coronel Ljubisa Beara. Depois, ele foi condenado em Haia, condenado à prisão perpétua e morreu na prisão na Alemanha… Eu queria que ele fosse julgado na Sérvia, pois [o julgamento em Haia] foi uma vergonha para todo o povo sérvio. Mas não houve genocídio", resumiu Seselj.

    Suicídio de Praljak

    Em 29 de novembro, o general croata da Bósnia e Herzegovina, Slobodan Praljak, de 72 anos, sentenciado pelo Tribunal Penal Internacional a 20 anos de prisão por crimes cometidos durante a Guerra da Bósnia, tomou veneno em plena sala do tribunal após ouvir a sentença.

    Até hoje, o ocorrido provoca muitas teorias e perguntas — como o militar conseguiu trazer a substância mortal para a sala, por que não foi impedido de tomá-la?

    "É possível levar algo para a prisão da ONU. Muitas pessoas vão lá, há muitas visitas. Isto poderia ter sido levado até por pessoas que foram para visitar algum outro prisioneiro. Por exemplo, os representantes da embaixada croata, quem quer que fosse. Mas, quanto à sala do tribunal, para lá só se pode levar algo preso nos genitais. Aí, éramos todos examinados, exceto os genitais", disse.

    Além disso, Seselj confessou que o passo "heroico" do general lhe provocou respeito, embora Seselj tivesse sido seu adversário de guerra e inimigo ideológico.
    "É um golpe duro contra o Tribunal. Praljak o humilhou com isso. Foi impressionante, todo o mundo viu", adiantou.

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    Tags:
    crimes de guerra, ONU, Tribunal de Haia, Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, Slobodan Praljak, Vojislav Seselj, Iugoslávia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Sérvia
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