01:49 19 Junho 2018
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    Participante da 11ª Conferência Ministerial da Organização Mundial de Comércio em Buenos Aires, Argentina

    Para deputado russo, tentativas de impor sanções fazem mundo retroceder 50 ou 60 anos

    © AFP 2018 / JUAN MABROMATA
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    Nos dias 9 e 10 de dezembro a capital argentina sediou a Conferência Parlamentária da Organização Mundial de Comércio (OMC). A Sputnik Mundo falou com o deputado da Duma de Estado russa, Sergei Gavrilov, para saber da posição da Rússia na organização e das possibilidades que esta pode dar à economia russa.

    A Rússia é um dos países mais novos na composição da OMC, em 2017 sua participação cumpriu apenas cinco anos. Ao comentar o significado do ingresso da Rússia na organização, Gavrilov destacou em uma entrevista à Sputnik Mundo que o país ainda está "no período de transição para adotar as leis e normas aduaneiras e reforçar os setores da economia que vão ter maior concorrência nos mercados globais", especialmente a indústria.

    O deputado enfatizou que a OMC não é capaz de garantir os direitos de seus participantes em condições de aumento das sanções dos EUA, Austrália, Canadá e União Europeia contra Rússia. Essas restrições, segundo Gavrilov, limitam as possibilidades do país no desenvolvimento de setores de alta tecnologia, transporte de recursos energéticos e acesso ao mercado de capitais e empréstimos, o que cria obstáculos a que a economia russa integre a economia mundial.

    No entanto, o político sublinhou que o país "resistiu bem" a estas sanções e expressou a esperança que a UE reduza as sanções. "Não há razões para isto, já que Rússia não é parte do conflito ucraniano e a reunificação da Crimeia ocorreu de maneira totalmente legal", afirmou Gavrilov apontando o fato de a península atrair muitos investidores estrangeiros.

    "Não é possível no mundo atual, a dominação de um país no terreno econômico ou político, onde as tentativas de dominação são uma restauração do colonialismo. A tentativa de impor sanções faz o mundo retroceder 50 ou 60 anos", acrescentou.

    Os líderes russo, sul-africano, indiano, chinês e brasileiro na reunião multilateral durante a IX cúpula dos BRICS e, Xiamen, em 4 de setembro de 2017
    © Sputnik / Grigory Sysoev
    Como exemplo, o deputado mencionou a situação da Síria e Líbia, "vítimas de agressão estrangeira", e o apoio direto ou indireto dos Estados Unidos às oposições armadas e terroristas que levou à destruição da economia desses países, à miséria e ao fluxo de milhões de imigrantes para a Europa.

    Por isso, para Gavrilov, "a igualdade no comércio mundial e o apoio aos países em desenvolvimento é impossível sem fortalecer o direito internacional e a igualdade".

    O deputado considerou muito importante o fortalecimento das relações com a Argentina no âmbito da cúpula da OMC e da cúpula do G20 em 2018 em Buenos Aires, a possível visita do presidente Mauricio Macri à Rússia durante a Copa 2018 e a colaboração da Rússia na busca do submarino ARA San Juan, assim como o crescimento das relações comerciais.

    Falando da OMC, o deputado frisou que a participação desta organização é mais benéfica para os países mais desenvolvidos e não tanto para os menos desenvolvidos, porque "remover todas as barreiras abafa o desenvolvimento da indústria", já que as transnacionais são mais competitivas.

    Quanto ao possível acordo entre o Mercosul e a União Europeia, Gavrilov considerou necessário "ter em conta as consequências que podem ser negativas para a indústria e a agricultura" dos países latino-americanos, já que o principal para o deputado é que cada governo coloque os interesses de seu povo em primeiro lugar.

    "Eu não sou partidário de um forte protecionismo, há que diminuir as barreiras alfandegárias, mas isso não pode levar à destruição das economias, o que leva ao desemprego, à miséria, ao aumento dos conflitos e ao terrorismo. O futuro do comércio mundial deve ter em conta a igualdade, as especificidades de cada país, e não a destruição das economias em nome dos interesses das transnacionais", concluiu.

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    Tags:
    cooperação, economia, sanções, OMC, Brasil, Argentina
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