12:58 14 Dezembro 2017
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    Plataformas no pré-sal da Bacia de Campos vêm aumentando produção

    Ministro britânico pressionou governo do Brasil em favor de gigantes petroleiras

    Geraldo Falcão/Agência Petrobras/Fotos Públicas
    Europa
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    O ministro do Comércio do Reino Unido, Greg Hands se encontrou com o vice-ministro brasileiro de Minas e Energia, Paulo Pedrosa com o objetivo de fazer o governo brasileiro aliviar tributações e regulação ambiental em favor da Shell, British Petroleum e Premier Oil. Conseguiu.

    O relato do encontro consta em telegramas obtidos pelo Greenpeace e reproduzidos com exclusividade pelo The Guardian. De acordo com o jornal britânico, Hands viajou ao Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte em uma visita para ajudar empresas britânicas de energia, mineração e água a fazer negócios no Brasil.

    A Pedrosa, Hands expressou preocupação em torno das regulações de licenças ambientais no Brasil. Ouviu do vice-ministro que este pressionaria colegas no governo em torno das medidas propostas pelas petrolíferas.

    Embora o governo do Reino Unido tenha negado a prática de lobby para enfraquecer o regime de licenciamento ambiental brasileiro, as negociações se provaram exitosas. Em agosto, o Brasil propôs redução tributária de bilhões de dólares para perfuração marítima. Dois meses depois, BP e Shell ganharam a maior parte das licenças no leilão do pré-sal brasileiro.

    O Greenpeace acusou o Departamento de Comércio Internacional (DIT na sigla em inglês) de agir como um "braço de pressão da indústria de combustíveis fósseis". A negociação acontece em um momento em que o governo conservador da primeira-ministra Theresa May advoga pela implantação do Acordo de Paris e critica o governo do presidente americano, Donald Trump, pelo desprezo a questões ligadas a mudanças climáticas.

    Em nota ao The Guardian, o DIT se defendeu, dizendo que não praticou lobby.

    "Não é verdade que nossos ministros praticaram lobby para afrouxar as restrições ambientais no Brasil — [o tema da] reunião foi sobre melhorar o processo de licenciamento ambiental, garantindo condições equitativas para as empresas nacionais e estrangeiras e, em particular, ajudando a acelerar o licenciamento e torná-lo mais transparente, o que, por sua vez, protegerá os padrões ambientais", diz o comunicado.

    No leilão do pré-sal, a Shell levou duas áreas de exploração como operadora e uma como participante e se tornou a segunda maior produtora do Brasil, após comprar a gigante BG. Já a BP venceu como participante em duas áreas, ambas lideradas pela Petrobras, e se disse "ansiosa por avançar em um ritmo rápido" de acordo com declaração do chefe global da área de produção e exploração da empresa, Bernard Looney, citado pela Época.

    Tags:
    leis ambientais, petroleira, combustíveis fósseis, lobby, pré-sal, petróleo, Leilão do Pré-Sal, Departamento de Comércio Internacional do Reino Unido (DIT), Época, Shell, The Guardian, Greenpeace, BP, Petrobras, Bernard Looney, Greg Hands, Paulo Pedrosa, Theresa May, Donald Trump, Belo Horizonte, São Paulo, Reino Unido, Rio de Janeiro, Brasil
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