03:14 16 Dezembro 2017
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    “Marcha de dragões” do OTAN na Europa

    Mídia: OTAN precisa responder ao novo bastão nuclear do Kremlin

    © REUTERS/ Ints Kalnins
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    A Rússia está modernizando o seu arsenal nuclear e isso não pode ser deixado sem resposta, escreve o Die Welt alemão.

    De acordo com o autor do artigo, o desequilíbrio da paridade pode provocar graves consequências políticas e, por isso, a OTAN precisa de uma "resposta dupla" – como acontecia nos Tempos da Guerra Fria.

    No futuro as autoridades da Alemanha arriscam enfrentar uma crise profunda, considera o autor do artigo no Die Welt

    "Só as mentes mais sensatas sentem o vento frio proveniente do Leste que traz consigo alterações do clima. Elas vão provocar graves consequências políticas: o Ocidente precisa de uma nova resposta dupla da OTAN. No pior dos casos, os EUA terão que modernizar os seus mísseis nucleares e deslocá-los para Eifel (zona no oeste da Alemanha) como era nos tempos da Guerra Fria. Isso porque o comportamento de Moscou é igual ao de há 40 anos", escreveu o autor do artigo no Die Welt. 

    Naquela época, o Kremlin substituiu os mísseis P-14 envelhecidos por novos RSD-10, apresentando-os como uma modificação. Mas, segundo indica o autor, os novos mísseis eram capazes de carregar 3 ogivas nucleares que podiam atacar alvos diferentes. Os lança-mísseis eram móveis e o alcance foi aumentado de 3 mil para 5,5 mil km.

    Para o chanceler alemão daquela época, Helmut Schmidt, era evidente que o Ocidente não tinha nada para contrapor a este novo tipo de armas. Ele exortou a OTAN a elaborar uma estratégia única e, então, surgiu a ideia da "resposta dupla", que levou à instalação dos mísseis Pershing na Europa para manter o equilíbrio de forças. 

    Mas, nos últimos anos, segundo o autor, o Ocidente vê como a Rússia está violando sistematicamente o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário. As autoridades russas não só não cumprem as obrigações do Tratado como estão desenvolvendo novas armas. O míssil 9M729 é o resultado dessa atividade. Segundo ele, a Europa ainda não tem o escudo antimíssil para contê-lo.

    Ele indicou que os aviões e os mísseis que estão instalados na Europa são obsoletos e que a paridade de forças ainda não existe. Ora, nos tempos da Guerra Fria a paridade era uma garantia da paz. 

    O autor precisou que Moscou está treinando cenários de ataques nucleares contra alvos da OTAN. O presidente russo Vladimir Putin tem referido a importância destas manobras, acompanhando-as pessoalmente. Além disso, caças russos capazes de carregar ogivas nucleares começaram a voar com frequência perto do espaço aéreo da OTAN. Após a "ocupação" da Crimeia, Moscou começou de novo a ameaçar com o bastão nuclear, afirma o autor.

    Os EUA e a OTAN mostram uma reação moderada. O Ocidente não tem uma estratégia única, afirma ele. Segundo o autor, ambas as partes devem negociar a liquidação de mísseis como o 9M729 e as suas modificações. "Ao mesmo tempo o Kremlin deve ser informado de que, se não ceder, o Ocidente continuará  reforçando o seu arsenal nuclear", frisou o autor.  

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    Tags:
    resposta militar, ogiva nuclear, Guerra Fria, armas, mísseis, crise, política, OTAN, EUA, Rússia
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