08:06 15 Dezembro 2017
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    Companhia aérea russa Aeroflot

    Motores para aviões franco-russos visam conquistar mercado chinês

    © Foto: Safran Aircraft Engines
    Europa
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    O grupo de trabalho aeronáutico franco-russo reúne atores privados e governamentais dos dois países. Marc Sorel, diretor-geral da empresa PowerJet, contou à Sputnik França sobre os projetos comuns e partilhou os planos para conquistar novos mercados.

    A PowerJet é uma empresa conjunta, criada pela companhia francesa de construção de motores Safran Aircraft Engines e a organização de pesquisa industrial russa Saturn. Segundo Marc Sorel, na última reunião do grupo de trabalho aeronáutico do Comitê Econômico, Financeiro, Industrial e Comercial (CEFIC) franco-russo, a parte francesa levantou a questão da "promoção do Sukhoi SuperJet 100 na China".

    Há algumas semanas, a PowerJet já montou seu 300º motor SaM146, e agora procura ampliar a oferta e fornecer o motor não só para o SuperJet 100, mas também para o avião Beriev 200 no mercado chinês.

    O 300º motor SaM146 para a PowerJet
    © Foto: Safran Aircraft Engines
    O 300º motor SaM146 para a PowerJet

    Um grande alcance do grupo é a isenção de impostos em 95% das peças do motor SaM146, tal como a isenção do IVA. Este resultado foi conseguido graças a tais grupos de trabalho governamentais, porque a cooperação se efetua fora das relações meramente comerciais entre parceiros.

    Quanto à divisão de responsabilidades entre Safran e Saturn, Sorel disse à Sputnik França que "a parte mais difícil na produção de motores é a parte quente que tem a ver com alta pressão. Quando começamos a cooperação sobre o SaM146, o principal para a companhia Safran Aircraft Engines era mostrar que possui essa tecnologia especifica para aviação civil".

    O diretor-geral sublinha que os parceiros têm métodos de trabalho muito diferentes, e lembra que os usados pela Safran foram inspirados pela companhia General Electric, parceira da construtora francesa.

    Hoje em dia, uma nova geração de engenheiros está sendo formada sob orientação dos dirigentes da Saturn e as mentalidades dos técnicos dos dois países se aproximam, apesar das diferenças culturais. "O modo de os engenheiros russos lidarem com os problemas técnicos permitem aos engenheiros franceses desenvolverem o seu modo de fazer as coisas."

    A cooperação franco-russa sai para fora dos âmbitos iniciais. "A parceria funciona porque a Saturn fabrica também peças para os motores turbofan CFM56 e para o motor de nova geração LEAP."

    Contudo, um dos problemas da PowerJet é a logística e manutenção técnica, que são fatores-chave da qualidade que os clientes avaliam. A rede PowerJer MRO tem duas oficinas certificadas – em Saint-Quentin-en-Yvelines, nos arredores de Paris, e na Rússia, em Rybinsk, e dois centros de logística – em Villaroche e Lytkaryno.

    Marc Sorel admite que, por enquanto, existe pressão da demanda sobre a oferta.

    "Pelos nossos motores nós fazemos tudo para cumprir os prazos, temos uma taxa de disponibilidade excelente – mais de 99%. No entanto, a prioridade da PowerJet é continuar a desenvolver a oferta de serviços adaptados às necessidades dos clientes. Nós queremos que os nossos parceiros considerem o Sukhoi SuperJet como um avião tão disponível como o A320 ou o Boeing 737."

    O motor SaM146 para a PowerJet
    © Foto: Safran Aircraft Engines
    O motor SaM146 para a PowerJet

    Em março do ano passado, a companhia PowerJet testou os seus motores SaM146 durante voos sobre a Sibéria Oriental em condições climáticas extremamente severas.

    "O nosso motor ainda não pode ser considerado 'maduro', esta categoria é atribuída após dez anos de utilização ou após três serviços de manutenção em oficina. Este é um produto 'vivo', está sempre sendo aperfeiçoado, não se pode comparar um motor que está em funcionamento há mais de 20 anos e acumulou vários milhões de horas de voo com o SaM146 que hoje em dia conta 700.000 horas de voo."

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    Tags:
    concorrência, mercado, motores, tecnologia, aviação civil, Aeroflot, Saturn, General Electric, Safran, Airbus, Boeing, França, Rússia
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