07:38 14 Dezembro 2019
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    Membros da Força da Segurança do Kosovo

    Como Kosovo 'abre caminho para OTAN' através dos terroristas do Daesh

    © AFP 2019 / ARMEND NIMANI
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    Nessa quarta-feira (25), Jamie Shea, vice-assessor do secretário-geral da OTAN, visitou o Kosovo. A história dessa "amizade" começou ainda na época da agressão do bloco militar contra a Iugoslávia e não foi por acaso que o alto responsável destacou "os laços sólidos, de muitos anos, entre a OTAN e o Kosovo".

    Entretanto, há outra questão interessante: na Aliança, Shea é responsável pelos novos desafios de segurança e parece que estes já foram inventados por Pristina.

    Não é de excluir que o objetivo principal de Shea seja convencer seus chefes de que Pristina está pronta para transformar as Forças de Segurança de Kosovo em um verdadeiro exército. Isto, por sua vez, abrirá o caminho para a adesão à OTAN, o que é extremamente importante para os kosovares, que têm certos problemas nas relações com a União Europeia — por enquanto, ainda nem se planeja a liberalização do regime de vistos.

    A OTAN, por sua vez, sublinha que a criação do exército deve ser acompanhada pela introdução de emendas na Constituição de Kosovo e não pela adoção de alguma lei especial. Entretanto, Pristina tem toda a consciência de que os deputados que representam a minoria sérvia bloquearão logo tal iniciativa, por isso está procurando caminhos alternativos. Parece que as autoridades decidiram se aproveitar do fato de haver células de islamistas radicais em Kosovo, enquanto alguns cidadãos da república autoproclamada balcânica até já conseguiram combater entre as fileiras do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) nos territórios sírio e iraquiano.

    De acordo com o relatório do Departamento de Estado dos EUA datado de julho de 2017, há 315 kosovares combatendo no Daesh, mas na realidade o número pode ser muito maior, pois este processo é muito difícil de ser monitorizado.

    Recentemente, a república bem modesta de Kosovo alocou 100 mil dólares à luta contra os elementos radicais, qualificando deste modo o terrorismo como um dos seus maiores desafios. Neste contexto, Pristina bem pode propor formar o seu próprio exército o mais rápido possível, para, junto com a OTAN, se tornar em uma barreira à penetração de islamistas no território europeu.

    Esta teoria é em parte comprovada pela declaração de Shea de que as Forças de Segurança de Kosovo teriam tido mais sucesso que o esperado, enquanto Kosovo "está cada vez perto da adesão à OTAN".

    Milan Mijalkosvki, professor da Faculdade de Assuntos de Segurança da Universidade de Belgrado, falou com a Sputnik Sérvia e qualificou tais argumentos de Pristina como "falsos", destacando que no fim da década de 90 ela já pediu ajuda da OTAN devido à chamada "limpeza étnica", enquanto agora o novo pretexto são os terroristas islâmicos.

    O especialista observou que a OTAN está se comportando de modo muito hipócrita em relação à Sérvia: por um lado, desenvolve a cooperação militar com ela, mas, por outro, faz tudo para ficar com 15% do território sérvio.

    "A Aliança está fazendo tudo o possível para ter o controle completo de Kosovo, dado que já lá tem a base de Bondsteel. Os interesses da Sérvia não se levam em conta. Porém, o argumento de criar um ‘exército de Kosovo' para se defender dos terroristas será levado em conta", manifestou Mijalkosvki.

    Vale destacar que a visita de Shea coincidiu com a chegada de Wesley Clark, ex-comandante da operação da Aliança contra a Iugoslávia na época da guerra de Kosovo, ao Montenegro. Sendo que este país já várias vezes expressou sua disponibilidade para apoiar Kosovo no caminho para a OTAN, pode ser que a ideia de Pristina não esteja longe de virar realidade.

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    Tags:
    bloco militar, Daesh, OTAN, Montenegro, Sérvia, Kosovo
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