13:10 14 Dezembro 2017
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    Manifestação em Barcelona após o referendo de independência da Catalunha

    Opinião: governo catalão fica assustado com probabilidade de independência

    © REUTERS/ Yves Herman
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    Referendo independentista na Catalunha (66)
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    O Parlamento da Catalunha está discutindo medidas de resposta às ações de Madri. O especialista em relações internacionais, Dmitry Ofitserov-Belsky em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik assinalou que os políticos em Madri e em Barcelona tentam colocar a culpa da situação um no outro.

    Os deputados do Parlamento catalão estão discutindo prováveis passos à decisão de Madri de aplicar o 155º artigo da Constituição do país, o que de fato significa introduzir o governo direto da autonomia a partir de Madri. 

    Chefe da Generalidade da Catalunha, Carles Puigdemont, afirmou que não vai anunciar a realização de eleições antecipadas. As conversações foram realizadas sobre uma variante que evitasse a aplicação do 155º artigo. Em uma declaração especial, Puigdemont disse que não recebeu garantias suficientes por parte do governo espanhol para a realização das eleições antecipadas. 

    Miquel Iceta, o primeiro secretário do Partido dos Socialistas da Catalunha, em seu discurso no Parlamento regional, advertiu as autoridades catalães de declararem a independência unilateralmente e apelou a que as eleições antecipadas fossem realizadas.

    Este notou que ultimamente na Catalunha quase todos os dias, se tornaram "dias históricos". "Já passaram tantos 'dias históricos' que todo mundo já perdeu a conta. Não sabem se a independência foi proclamada ou não, se isto vai ser feito hoje ou amanhã", ironizou Iceta.

    De acordo com os dados da Generalidade, durante a votação, que foi qualificada de ilegal pela Corte Institucional da Espanha, mais de 90% dos votos se expressaram a favor da independência da comunidade autônoma da Espanha, e 43% dos moradores da Catalunha participaram da votação. 

    Em entrevista ao serviço russo da Rádio Sputnik, o especialista em relações internacionais, professor da Escola Superior da Economia, Dmitry Ofitserov-Belsky, comentou a situação.

    "Hoje em dia, muitos políticos da Catalunha não estão prontos para arcar com responsabilidade de suas ações passadas. Em certo grau, o mesmo se trata do chefe da autonomia catalã, que enfim, não se decidiu de proclamar a independência. Os políticos em Madri e em Barcelona aparentemente tentam persuadir uns aos outros, ou convencer a si mesmos, que estes sempre estiveram prontos para realizarem conversações, só que seu oponente se demonstrou menos flexível, o que leva de fato a introdução do 155º artigo da constituição, e por sua vez, o rompimento da autonomia catalã", assinalou o especialista.

    De acordo com ele, a Catalunha não se tornará independente.

    "Não vale a pena esperar por nenhum cenário real, seja ele de mudança para independência, guerra pela autonomia ou luta pela liberdade."

    Para Ofitserov-Belsky, essa será a evolução dos acontecimentos.

    "Em perspectiva, depois da aplicação do 155º artigo, com o tempo o estatuto de autonomia será recuperado com base em um acordo, ou a Catalunha será privada desse estatuto por um período bem longo. Ao que parece, o governo catalão, mesmo que continue afirmando sua prontidão de proclamar a independência, de fato de assustou com o que tinha feito", opinou o especialista.

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    Tags:
    independência, medo, referendo, Carles Puigdemont, Catalunha, Espanha
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