01:48 25 Setembro 2018
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    Ativistas se manifestam contra armas nucleares norte-americanas em Colônia, Alemanha (foto de arquivo)

    Agenda secreta da OTAN: o que escondem manobras com armas nucleares dos EUA na Alemanha?

    CC0 / atomwaffenfrei.jetzt
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    A OTAN está realizando um exercício de segurança nuclear norte-americana na base de Buchel, Alemanha, e na base belga de Kleine-Brogel. A legitimidade de exercícios deste calibre e instalação de armas nucleares em países sem este tipo de arsenal causam várias questões.

    Exercícios nucleares na Europa

    A base aérea de Buchel conta com até 20 bombas nucleares norte-americanas e é a única instalação da Alemanha em que há armas desse tipo. Atualmente, os pilotos das Forças Armadas alemãs e oficiais de vários países da OTAN estão participando de exercícios que incluem a manipulação de arsenal nuclear.

    "O exercício é conhecido na Aliança como 'Meio-dia inabalável' ['Steadfast Noon'] e é realizado anualmente em bases militares de toda a Europa", disse à Sputnik Alemanha Otfried Nassauer, investigador do Centro de Informação para a Segurança de Berlim (BITS, na sigla em inglês).

    Nassauer explica que durante exercícios nucleares – supervisados pelo pessoal militar dos EUA – são postas em prática as normas de segurança enquanto se instala uma bomba nuclear em um avião e se observa sua decolagem, onde não deveriam ser utilizadas armas nucleares de verdade.

    Um dilema legítimo

    Desde os anos sessenta, a OTAN prevê um possível uso de armas nucleares norte-americanas por parte de quatro países europeus sem arsenal nuclear em caso de guerra. Segundo a organização, o estipulado não contradiz o Tratado da Não Proliferação Nuclear, frequentemente criticado (e alheio à Aliança).

    "O argumento da OTAN é que, como resultado desta situação, surge um novo grupo de países entre os nucleares e não nucleares: um grupo de Estados pseudonucleares não mencionados no Tratado", assinalou Nassauer.

    As Forças Armadas alemãs não são autorizadas a utilizar armas nucleares segundo o direito internacional, mas "o truque" é simples: durante as manobras atuais, os oficiais alemães recebem ordens não do seu Ministério da Defesa, mas do comando da OTAN.

    "A situação é tensa. A lei proíbe o uso de armas nucleares por parte das tropas alemãs, mas estas recebem ordens da OTAN. Poderiam tentar desobedecer a essas ordens assumindo o risco que isso implica, mas segundo a lei alemã, os soldados alemães não podem obedecer a uma ordem ilegal", disse o analista.

    Uma mensagem para a Rússia

    O coronel aposentado da Bundeswehr – Forças Armadas alemãs, Ulrich Scholz, quem ajudou no planejamento da Força Aérea da OTAN, descreve "Meio-dia inabalável" como um "tema discutível". Também crê que se trate de um argumento político contra a Rússia. Scholz está preocupado com a segurança nacional da Alemanha.

    "Ao se recusar à utilização de energia nuclear por razões de segurança e, ao mesmo tempo, guardando armas nucleares em nosso território e participando destes exercícios, surge uma pergunta: ninguém estaria preocupado com a segurança alemã?"

    O coronel também assinala que os "interesses geoestratégicos" de Washington giram ao redor da Rússia, assim como na época da Guerra Fria.

    Segundo Nassauer, os EUA estão interessados em manter todos os aliados unidos. Pela primeira vez, a Polônia, Grécia e a República Tcheca participaram nos exercícios deste ano.

    "À luz das contínuas tensões entre a Rússia e o Ocidente, tudo o que está passando parece ser uma mensagem política da OTAN a Moscou", disse.

    Em 20 de outubro, o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, pediu que retirassem as armas nucleares norte-americanas da Europa durante conferência sobre a não proliferação de armas nucleares, em Moscou.

    "Esperamos que as armas nucleares norte-americanas sejam retiradas da Europa e voltem para os EUA."

    O ministro pediu à OTAN para dar um basta nos exercícios com armas nucleares nos território dos seus membros sem este tipo de arsenal.

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    Tags:
    arsenal nuclear, armas nucleares, forças armadas, segurança, Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, OTAN
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