20:59 21 Novembro 2017
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    Uma rua de Barcelona durante a celebração da Diada, festa nacional da Catalunha, em 2015

    Por quais motivos a União Europeia pode reconhecer a independência da Catalunha?

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    Europa
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    Referendo independentista na Catalunha (66)
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    A União Europeia está mais preocupada com o seu próprio bem-estar econômico do que com o reconhecimento de um país recém-independente no mapa da Europa, disse à Sputnik o secretário internacional do Partido da Solidariedade da Catalunha, Enric Folch.

    Folch disse que a União Europeia manifestou sua disponibilidade para reconhecer os resultados do próximo referendo de independência da Catalunha para acalmar o mercado financeiro, já que o bloco tem medo da instabilidade econômica que pode ser causada pela divisão da região da Espanha.

    O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse na quinta-feira que o bloco respeitará a escolha do povo catalão, caso seja um voto "sim" a favor da independência da Catalunha. Ele acrescentou que, se o território ganhar a independência, não poderá se tornar um membro da UE imediatamente após o referendo e terá que seguir o mesmo processo de adesão para ser admitido na União Europeia como outros países que entraram no bloco desde 2004.

    "O principal para a UE não é reconhecer o resultado da votação, é manter a calma no mercado econômico internacional, porque se a Catalunha decidiu não contribuir, se, por exemplo, ficarmos fora da UE, então a Espanha entrará em colapso economicamente e a UE sofrerá. É por isso que eles tentam manter a estabilidade e se acalmarem no mercado econômico", disse Folch.

    De acordo com o secretário, a União Europeia tem em consideração o fato da Catalunha ser "um país rico", um dos principais contribuintes para a Espanha e, consequentemente, para o bloco.

    ​Folch ressaltou que a própria Catalunha estava protegida do impacto econômico da divisão com a Espanha por tratados internacionais e bilaterais, assinados como região espanhola.

    "Legalmente, quando um país se separa de outro país, como sucessor, todos os tratados internacionais devem ser respeitados por ambas as partes. É claro, nós os respeitamos", disse ele, acrescentando que mesmo que a Catalunha não se torne imediatamente um Estado-Membro da UE, no final, as pessoas e as empresas não mudariam senão a sua nacionalidade.

    A Catalunha busca há muito tempo independência da Espanha, acusando Madri de restringir sua autonomia econômica e cultural e de distribuir recursos injustamente no país. É a segunda região mais populosa de Espanha e principal contribuinte para a economia nacional, representando quase um quinto do PIB do país na última década, de acordo com os dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Além disso, a região autônoma representa 25% de todas as exportações espanholas e 23% de toda a indústria.

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    Partido da Solidariedade da Catalunha, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), União Europeia, Enric Folch, Jean-Claude Juncker, Catalunha, Espanha
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