14:46 25 Junho 2018
Ouvir Rádio
    James Mattis, secretário de Defesa dos EUA  com seu homólogo ucraniano, Stepan Poltorak. Mattis visitou Ucrânia por ocasião do Dia da Independência do país, 24 de agosto de 2017

    Opinião: armar Ucrânia seria um grave erro por parte dos EUA

    © AP Photo / Efrem Lukatsky
    Europa
    URL curta
    1193

    O secretário de Defesa norte-americano, James Mattis, confirmou durante sua visita à Ucrânia que está a favor de fornecer "armas defensivas" à ex-república soviética, que vive um conflito armado com as repúblicas autoproclamadas no leste do país que dura há mais de três anos.

    A decisão política da administração Trump de armar a Ucrânia poderia envolver os EUA em uma guerra com Moscou, que não poderia ganhar, explica Michael Kofman no The New York Times.

    Embora, na essência, "ajudar a Ucrânia possa ser admirável" e armar Kiev pareça "um triunfo político fácil", na verdade isso é uma política pobre, escreve o autor, comparando a ideia de gastar cerca de 50 milhões de dólares para fornecer mísseis antitanque à Ucrânia com os esforços desmedidos de Washington para treinar e armar a oposição moderada síria.

    Tanque ucraniano T-64 durante a Parada militar em homenagem do Dia da Independência da Ucrânia (foto de arquivo)
    © Sputnik / Assessoria de imprensa do presidente da Ucrânia
    Aquele plano foi mal concebido e terminou em uma derrota depois de a Rússia ter aumentado seu apoio militar ao governo de Bashar Assad, em 2015, lembrou Kofman, pesquisador do Centro Wilson e colaborador no Instituto de Guerra Moderna (Modern War Institute).

    A proposta de enviar armas para a Ucrânia chega no momento em que é mais necessário ajudar o país a se transformar do que "atirar um lote de mísseis para as mãos de um exército não renovado", opina o autor do artigo.

    Militares dos EUA, como o tenente-general Ben Hodges, compartilham a opinião de que os fornecimentos de armas na zona "não mudariam a situação estratégica de uma forma positiva". Mesmo no caso de um hipotético "ataque russo", do qual não há nenhuma indicação, ressalta o autor, a assimetria de forças entre os dois países não pode ser resolvida com alguns mísseis portáteis.

    Levando em consideração a natureza do conflito, que Moscou considera de importância vital para si, há poucas possibilidades de "esgotar" a Rússia na Ucrânia, esclarece Kofman.

    Mas o que se conseguiria com o fornecimento de mísseis Javelin à Ucrânia seria converter o conflito ucraniano em uma guerra indireta entre os Estados Unidos e Rússia.

    Enquanto Kiev sonha com a entrada de Washington em cena, este último deve focar sua atenção nos seus próprios interesses nacionais como, por exemplo, seus aliados da OTAN.

    Antes de tomar a decisão de "enviar uma mensagem a Moscou" armando a Ucrânia, os altos funcionários norte-americanos deviam considerar um possível sinal de resposta russo.

    "Se a administração Trump vê o conflito na Ucrânia como parte de uma nova Guerra Fria, deve pensar melhor como vai ganhá-la", conclui o autor.

    Mais:

    Donbass: Ucrânia está se preparando para violar trégua
    Mattis e Poroshenko conversam sobre envio de armas para 'defender' a Ucrânia
    McCain exorta Trump a armar a Ucrânia 'em prol da paz'
    Tags:
    apoio militar, armamento, James Mattis, EUA, Ucrânia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik