Opinião: armar Ucrânia seria um grave erro por parte dos EUA

© AP Photo / Efrem Lukatsky James Mattis, secretário de Defesa dos EUA com seu homólogo ucraniano, Stepan Poltorak. Mattis visitou Ucrânia por ocasião do Dia da Independência do país, 24 de agosto de 2017
James Mattis, secretário de Defesa dos EUA  com seu homólogo ucraniano, Stepan Poltorak. Mattis visitou Ucrânia por ocasião do Dia da Independência do país, 24 de agosto de 2017 - Sputnik Brasil
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O secretário de Defesa norte-americano, James Mattis, confirmou durante sua visita à Ucrânia que está a favor de fornecer "armas defensivas" à ex-república soviética, que vive um conflito armado com as repúblicas autoproclamadas no leste do país que dura há mais de três anos.

A decisão política da administração Trump de armar a Ucrânia poderia envolver os EUA em uma guerra com Moscou, que não poderia ganhar, explica Michael Kofman no The New York Times.

Embora, na essência, "ajudar a Ucrânia possa ser admirável" e armar Kiev pareça "um triunfo político fácil", na verdade isso é uma política pobre, escreve o autor, comparando a ideia de gastar cerca de 50 milhões de dólares para fornecer mísseis antitanque à Ucrânia com os esforços desmedidos de Washington para treinar e armar a oposição moderada síria.

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Aquele plano foi mal concebido e terminou em uma derrota depois de a Rússia ter aumentado seu apoio militar ao governo de Bashar Assad, em 2015, lembrou Kofman, pesquisador do Centro Wilson e colaborador no Instituto de Guerra Moderna (Modern War Institute).

A proposta de enviar armas para a Ucrânia chega no momento em que é mais necessário ajudar o país a se transformar do que "atirar um lote de mísseis para as mãos de um exército não renovado", opina o autor do artigo.

Militares dos EUA, como o tenente-general Ben Hodges, compartilham a opinião de que os fornecimentos de armas na zona "não mudariam a situação estratégica de uma forma positiva". Mesmo no caso de um hipotético "ataque russo", do qual não há nenhuma indicação, ressalta o autor, a assimetria de forças entre os dois países não pode ser resolvida com alguns mísseis portáteis.

Levando em consideração a natureza do conflito, que Moscou considera de importância vital para si, há poucas possibilidades de "esgotar" a Rússia na Ucrânia, esclarece Kofman.

Mas o que se conseguiria com o fornecimento de mísseis Javelin à Ucrânia seria converter o conflito ucraniano em uma guerra indireta entre os Estados Unidos e Rússia.

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Enquanto Kiev sonha com a entrada de Washington em cena, este último deve focar sua atenção nos seus próprios interesses nacionais como, por exemplo, seus aliados da OTAN.

Antes de tomar a decisão de "enviar uma mensagem a Moscou" armando a Ucrânia, os altos funcionários norte-americanos deviam considerar um possível sinal de resposta russo.

"Se a administração Trump vê o conflito na Ucrânia como parte de uma nova Guerra Fria, deve pensar melhor como vai ganhá-la", conclui o autor.

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