15:59 26 Novembro 2020
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    O secretário de Defesa norte-americano, James Mattis, confirmou durante sua visita à Ucrânia que está a favor de fornecer "armas defensivas" à ex-república soviética, que vive um conflito armado com as repúblicas autoproclamadas no leste do país que dura há mais de três anos.

    A decisão política da administração Trump de armar a Ucrânia poderia envolver os EUA em uma guerra com Moscou, que não poderia ganhar, explica Michael Kofman no The New York Times.

    Embora, na essência, "ajudar a Ucrânia possa ser admirável" e armar Kiev pareça "um triunfo político fácil", na verdade isso é uma política pobre, escreve o autor, comparando a ideia de gastar cerca de 50 milhões de dólares para fornecer mísseis antitanque à Ucrânia com os esforços desmedidos de Washington para treinar e armar a oposição moderada síria.

    Tanque ucraniano T-64 durante a Parada militar em homenagem do Dia da Independência da Ucrânia (foto de arquivo)
    © Sputnik / Assessoria de imprensa do presidente da Ucrânia
    Aquele plano foi mal concebido e terminou em uma derrota depois de a Rússia ter aumentado seu apoio militar ao governo de Bashar Assad, em 2015, lembrou Kofman, pesquisador do Centro Wilson e colaborador no Instituto de Guerra Moderna (Modern War Institute).

    A proposta de enviar armas para a Ucrânia chega no momento em que é mais necessário ajudar o país a se transformar do que "atirar um lote de mísseis para as mãos de um exército não renovado", opina o autor do artigo.

    Militares dos EUA, como o tenente-general Ben Hodges, compartilham a opinião de que os fornecimentos de armas na zona "não mudariam a situação estratégica de uma forma positiva". Mesmo no caso de um hipotético "ataque russo", do qual não há nenhuma indicação, ressalta o autor, a assimetria de forças entre os dois países não pode ser resolvida com alguns mísseis portáteis.

    Levando em consideração a natureza do conflito, que Moscou considera de importância vital para si, há poucas possibilidades de "esgotar" a Rússia na Ucrânia, esclarece Kofman.

    Mas o que se conseguiria com o fornecimento de mísseis Javelin à Ucrânia seria converter o conflito ucraniano em uma guerra indireta entre os Estados Unidos e Rússia.

    Enquanto Kiev sonha com a entrada de Washington em cena, este último deve focar sua atenção nos seus próprios interesses nacionais como, por exemplo, seus aliados da OTAN.

    Antes de tomar a decisão de "enviar uma mensagem a Moscou" armando a Ucrânia, os altos funcionários norte-americanos deviam considerar um possível sinal de resposta russo.

    "Se a administração Trump vê o conflito na Ucrânia como parte de uma nova Guerra Fria, deve pensar melhor como vai ganhá-la", conclui o autor.

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    Tags:
    apoio militar, armamento, James Mattis, EUA, Ucrânia
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