06:30 25 Agosto 2019
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    O submarino Nautilus, ou USS O-12, foi construído nos EUA em 1917

    Na Noruega foi encontrado um submarino afundado – inesperadamente não é russo

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    Enquanto a descoberta de destroços de submarinos alemães da Segunda Guerra Mundial é uma coisa bastante comum nos fiordes noruegueses, a recente expedição ao largo da cidade de Bergen se enfoca em um tipo diferente de relíquia.

    Os pesquisadores noruegueses encontraram um submarino afundado dos EUA, que terminou seus dias cumprindo as missões polares com menor sucesso de todos os tempos.

    O navio de exploração G.O. Sars, que recentemente retornou do arquipélago norueguês de Svalbard, foi usado para explorar os restos do submarino dos EUA Nautilus, que foi encontrado perto da costa de Bergen. Usando o robô de controlo remoto Aegir, os pesquisadores noruegueses querem esclarecer mais sobre a história deste submarino.

    "Eu penso que poucos sabem que ele está realmente aqui. Há submarinos alemães que se afundaram durante a guerra, mas isto é algo de especial", disse Rolf Birger Pedersen, o chefe do Centro de Pesquisas Abissais K. G. Jebsen, à emissora nacional norueguesa NRK.

    O submarino Nautilus, ou USS O-12, foi construído nos EUA em 1917 e foi usado contra os alemães durante a Primeira Guerra Mundial, mas não lançou nenhum torpedo. Em 1930, o governo norte-americano decidiu que o submarino devia ser desmantelado.

    Entretanto, o aventureiro australiano George Hubert Wilkins, que antes se tinha tornado o primeiro homem que voou sobre o oceano Ártico, do Alasca até à cidade de Barentsburg, no arquipélago de Svalbard, tinha outros planos. A ideia dele era usar o submarino para viajar de Svalbard através do Polo Norte para o Alasca.

    Durante a reconstrução, o Nautilus recebeu equipamento para quebrar o gelo. No entanto, o submarino sofreu uma série infinita de desgraças irritantes. Primeiro, o motor parou imediatamente depois de ter saído do estaleiro. Depois, um marinheiro caiu ao mar e se afogou durante a travessia do Atlântico.

    Da tripulação fazia parte o professor de geofísica Harald Ulrik Sverdrup, que participara do projeto apesar dos protestos de amigos e parentes que lhe disseram para ficar em casa. Um colega dele até lhe enviou uma carta declarando que seria uma grande perda para a oceanografia se Sverdrup fosse ao fundo em uma caixa.

    Embora a equipe voltasse segura para casa, a vida a bordo não era uma festa. A água potável congelou, o casco deixava passar água, mas o problema principal foi que o submarino nunca cumpriu seu objetivo. No final de agosto de 1931, o Nautilus atingiu os limites da massa de gelo, mas não podia submergir devido a possível sabotagem de um membro da tripulação aterrorizado, que pode ter salvado seus colegas de uma morte certa. O Nautilus voltou a Svalbard, sua tripulação estava gelada da cabeça aos pés, mas viva.

    A operação foi descrita pela mídia norueguesa como uma falha total. O Nautilus voltou para a cidade norueguesa de Bergen e, porque era impensável levá-lo de volta aos Estados Unidos, o submarino foi afundado ao largo da mesma cidade. Ironicamente, o submarino não conseguiu realizar o que estava planejado nem mesmo no processo de sua morte. O submarino deveria ter sido afundado à profundidade de pelo menos 370 metros, mas ele encontrou seu local de repouso final apenas a 347 metros.

    Entretanto os submarinos se tornaram mais avançados e o sonho de Wilkins virou realidade. Em 1958, o submarino nuclear USS Nautilus passou com êxito através do Polo Norte por baixo de gelo. Um ano mais tarde, as cinzas de Wilkins foram dispersadas no Polo Norte.

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    submarino atômico, submarino, Svalbard, Noruega, Polo Norte, EUA
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