13:40 06 Dezembro 2019
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    Um pescador mantém uma bandeira da Espanha no porto de La Línea de la Concepción em 18 de agosto de 2013. O porto foi palco de um protesto espanhol contra a construção de um arrecife artificial pelo governo britânico perto da península de Gibraltar, reivindicado pelo Reino Unido

    Na mira da Espanha: o que será de Gibraltar após o Brexit?

    © AP Photo / Laura Leon
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    O início oficial do processo de retirada da Grã-Bretanha da União Europeia deu início ao período de indefinição para Gibraltar, território ultramarino britânico, há mais de 300 anos reivindicada pelo seu antigo dono, a Espanha.

    O Brexit foi aprovado por 51,9% dos britânicos, segundo o referendo realizado no ano passado. Já em Gibraltar, 96% da população votou pela permanência na UE.

    O território britânico, dessa forma, ficou em uma situação indefinida. A saída da península da UE terá um forte impacto em sua economia, que mantém laços estreitos com a espanhola. Por outro lado, classificada pelo Comitê de Descolonização da ONU como colônia, Gibraltar não possui autonomia para negociar a sua situação de forma independente. A Espanha, por outro lado, está pronta para acionar todos os seus meios de influência para aproveitar a oportunidade de retomar o controle desse território estratégico.

    Madrid nunca abandonou a esperança de retomar Gibraltar. O território foi cedido à Grã-Bretanha pela Espanha no Tratado de Utrecht em 1713. Até o momento, porém, a posição geopolítica da Espanha não era favorável para a reanexação do território. Brexit, entretanto, mudou tudo.  

    Segundo a redação preliminar dos princípios das negociações referentes ao Brexit, um dos artigos determina que, após a saída da Grã-Bretanha da UE, "nenhum acordo entre a União Europeia e o Reino Unido terá vigor no território de Gibraltar, sem acordo prévio entre o Reino da Espanha e o Reino Unido".

    Se este artigo fizer parte da redação final do acordo do Brexit, a Espanha ganhará o poder de veto sobre qualquer decisão da Grã-Bretanha sobre o futuro do seu território ultramarino.

    "Pela primeira vez a situação está sendo claramente favorável para a Espanha, pois agora o país pode negociar com Gibraltar de uma posição mais forte", disse à Sputnik Mundo o secretário-geral da Academia de Diplomacia da Espanha e editor-chefe da revista Diplomacia Siglo XXI, Santiago Velo de Antelo.

    Madrid pode ajudar a cumprir a vontade da população de Gibraltar de permanecer na UE e a evitar as consequências negativas do Brexit, que "trará sérios prejuízos aos residentes da Gibraltar e ao Reino Unido como um todo", disse o especialista.

    Para isso, as autoridades locais terão de aceitar a partilha do governo com a Espanha.

    A situação de Gibraltar é delicada, pois a Espanha tem o poder de "dificultar ao máximo a vida da população" da península ao introduzir um regime de vistos, guarda de fronteira, bem como a adoção de muitas outras medidas, destacou o interlocutor da agência. Gibraltar, cuja economia toda é de serviços, sofrerá de modo severo qualquer medida restritiva espanhola.

    A proposta do governo espanhol de administração conjunta contempla a manutenção da cidadania britânica para os residentes de Gibraltar, a adoção de dupla cidadania, bem como a manutenção do sistema fiscal autônomo. 

    As questões relacionadas à política externa e à defesa a Espanha propõe solucionar em conjunto com Londres. Em troca, Gibraltar manteria o acesso ao mercado comum da UE, assim como a possibilidade de trânsitar no interior do bloco, o que é de extrema importância para 10 mil moradores da península que, todos os dias, cruzam a fronteira espanhola.

    Até o momento, porém, os governos de Gibraltar e da Grã-Bretanha estão irredutíveis. E o futuro da colônia permanece incerto.

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    Tags:
    Brexit, Santiago Velo de Antelo, Gibraltar, Grã-Bretanha, União Europeia, Espanha
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