05:50 18 Agosto 2017
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    Soldado alemão da coalizão da OTAN está de guarda no centro de treinamento de Mazar-i-Sharif, abril de 2016

    Ex-planejador da OTAN reconhece que aliança 'autoriza a morte de civis'

    © AFP 2017/ WAKIL KOHSAR
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    A Bundeswehr não participa apenas de missões de reconhecimento na guerra aérea contra o Daesh. Os conselheiros do governo federal da Alemanha também examinam cada objetivo do ataque da coalizão internacional antiterrorista.

    "Eles dizem: o ataque contra este objetivo pode custar um máximo de dez vidas de civis" e depois dão autorização para o bombardeio, disse o ex-encarregado de planejamento da guerra aérea da OTAN Ulrich Scholz à Sputnik Alemanha.

    "Nós aceitamos danos colaterais", disse o ex-tenente-coronel do exército e ex-encarregado do planejamento da guerra aérea da OTAN Ulrich Scholz em uma entrevista ao correspondente da Sputnik Alemanha Tilo Graeser. As reações de políticos e da mídia sobre as revelações chocantes que aviões de reconhecimento alemães Tornado participaram de ataques aéreos da coalizão internacional que resultaram em vítimas civis poderiam ser simuladas. Por isso, as declarações do Governo Federal da Alemanha que eles não sabem o que realmente aconteceu, por exemplo, em ataques aéreos na Síria ou no Iraque, são possivelmente baseadas em mais do que a simples ignorância.

    Será que Bundeswehr está envolvida em bombardeios de civis?

    Segundo Scholz, esse é um esquema clássico de condução da guerra aérea dos EUA ou da OTAN. Mas um inimigo como o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e muitos outros países) não tem chance de vencer a guerra se não se misturar com civis. Assim, esses "danos colaterais" – as vítimas inocentes – são levados em conta pelos alemães, segundo Ulrich Scholz.

    "É cínico", mas é permitido matar 10 civis num ataque aéreo

    Segundo o ex-encarregado do planejamento da guerra aérea da OTAN, o cinismo consiste no fato que a coalizão tem conselheiros especiais para questões jurídicas que dão autorização para tais ataques. O ex-militar reconheceu que também estão presentes conselheiros alemães na sede da coalizão na cidade de Doha.

    Logo depois da autorização começam os bombardeios – "é permitido matar até 10 pessoas civis". A isto se chama "minimizar as vítimas civis". Mas para o ex-tentente-coronel Ulrich Scholz isto significa que Bundeswehr "dá licença para matar civis!".

    "A guerra aérea é completamente amoral. […] Bundeswehr também é culpada de assassinato de civis", disse Ulrich Scholz.

    Scholz pensa que a guerra aérea não é útil para combater islamistas. Os ataques aéreos são apenas úteis para mostrar a todo o mundo que "nós estamos a fazer algo", mas não é possível alcançar êxitos usando estes meios de guerra:

    "No final, tudo o que fazemos é matar civis e prolongar o sofrimento da população. Do ponto de vista político, apenas a guerra aérea não permite alcançar nada", disse, acrescentando que o assassinato de civis apenas aumenta o extremismo islâmico – é uma asneira política.

    Civis de Aleppo não eram alvo de bombardeios

    Scholz sublinhou que o exército russo age de forma diferente durante a guerra. As revelações que o Exército Sírio e o Exército da Rússia matavam intencionalmente civis "contradizem a razão", considera ele. O ex-militar chamou tais acusações de "propaganda militar".

    "A única decisão justa é parar a guerra e iniciar as negociações", concluiu.

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    Tags:
    civis, vítimas, terrorismo, coalizão internacional, Daesh, OTAN, Alemanha, Iraque, Síria
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