23:17 22 Julho 2018
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    Chanceler da Alemanha Angela Merkel

    À beira do colapso: UE não dá 'respostas claras' a seus erros

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    Europa
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    Apesar da assinatura de uma declaração sobre as prioridades pós-Brexit na cúpula festiva de aniversário da UE na semana passada, a maioria dos especialistas adverte que a União agora está enfrentando o mais grave desafio de toda a sua história.

    No sábado, a nova declaração comemorativa do Tratado de Roma de 1957, que serviu de base para fundação da União Europeia, foi assinada pelos 27 países-membros da UE durante uma cúpula festiva na capital da Itália.

    A despeito das observações positivas do presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker sobre o futuro da UE, a chanceler alemã Angela Merkel, por seu lado, assinalou numa entrevista ao portal de notícias italiano Rai que a UE "não fez tudo bem" na sua política migratória e econômica e que várias questões importantes devem ser resolvidas.

    O presidente do Conselho Europeu Donald Tusk e o presidente do Parlamento Europeu Antonio Tajani estão de acordo com Merkel, dizendo que a UE é uma organização "ineficaz e muito burocrática".

    "Não estamos cansados da Europa, mas queremos que trabalhe melhor", disse Tajani sobre a UE.

    Numa entrevista ao jornal online Vzglyad, o analista político russo Aleksei Martynov disse que a Europa viveu sob protetorado dos EUA durante os últimos mais de 20 anos, mas por causa de uma série de falhos estratégicos da administração de Barack Obama, o projeto fracassou. Segundo o especialista, a Grã-Bretanha percebeu isto e foi mesmo por isso que decidiu sair da UE.

    De acordo com Martynov, a nova declaração assinada pela União este ano não contém "nenhuma resposta clara ou um meio de resolver os problemas importantes".

    O especialista também sublinhou que a União Europeia tem problemas com a segurança nacional e com o Acordo de Schengen que agora, segundo Martynov, "está em perigo sério".

    "Parece que os europeus vão desistir dele [Acordo de Schengen] sob pressão dos problemas migratórios e vão construir muitos muros. O colapso do Acordo de Schengen será o primeiro passo para o colapso de toda a União Europeia, porque a filosofia da UE é construída em torno da chamada abertura", disse Martynov.

    O analista político italiano Raffaele Marchetti, por seu lado, disse à Sputnik Itália que "a falta de integração plena foi causada, por exemplo, pela crise migratória que se tornou um dos pontos fracos da UE".

    De acordo com ele, "não foi desenvolvido um sistema unificado de gestão de fluxos de migrantes e sua distribuição", disse.

    Marchetti também apela à criação de uma "Europa a duas velocidades", que ajudará a resolver os problemas de insuficiente integração dos países com nível de desenvolvimento mais baixo.

    O Tratado de Roma marcou o início de todo o projeto da União Europeia. O tratado foi assinado em 25 de março de 1957 pela França, Bélgica, Itália, Luxemburgo, Holanda e Alemanha Ocidental.

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    Tags:
    Tratado de Roma, Brexit, Parlamento Europeu, Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, Donald Tusk, Angela Merkel, Grã-Bretanha, UE, União Europeia, Alemanha, França
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