'Bielorrússia trava jogo muito perigoso com EUA' em cenário parecido ao ucraniano

© AFP 2023 / KIRILL KUDRYAVTSEVPresidentes da Rússia, Vladimir Putin (esquerda), da Bielorrússia, Alexander Lukashenko (centro) e da Ucrânia, Pyotr Poroshenko (direita), durante conversações em Minsk
Presidentes da Rússia, Vladimir Putin (esquerda), da Bielorrússia, Alexander Lukashenko (centro) e da Ucrânia, Pyotr Poroshenko (direita), durante conversações em Minsk - Sputnik Brasil
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"Os líderes da Bielorrússia estão travando um jogo muito perigoso com um adversário muito sério", afirma o historiador Andrei Fursov, referindo-se ao início das atividades da USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) em busca de um parceiro local para seu projeto Community Connections na Bielorrússia.

"Hoje em dia, a Bielorrússia é, de fato, o único país europeu amigo da Rússia. Claro que será aqui que vão atacar depois do [golpe de Estado na] Ucrânia, com o fim de transformar a Bielorrússia em algo intermédio entre a Ucrânia e a Lituânia. Não será necessariamente um regime nazista de Bandera [ex-líder nacionalista ucraniano], mas sim algo que leve a cabo uma viragem em direção ao Ocidente", assegurou o historiador e escritor Andrei Fursov em uma entrevista ao diário russo Pravda.

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Fursov se referiu, particularmente, às recentes atividades da USAID no território da Bielorrússia. O principal objetivo anunciado por seu programa é utilizar os intercâmbios profissionais para estabelecer conexões entre o povo bielorrusso e seus colegas americanos, com o fim de promover o mercado livre os valores democráticos.

Na opinião do diretor do Centro de Análise bielorrusso EsooM, Sergei Musienko, qualquer programa de intercâmbio é uma faca de dois gumes: "Me custa a crer que um país decida se meter desinteressadamente nos interesses dos outros. Muitas vezes, naturalmente, estão buscando e convidando os jovens mais inteligentes que, após isso, já nunca voltarão para casa".

O presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, também expressou sua preocupação com as intenções de várias organizações norte-americanas.

"Estamos bastante preocupados com os intuitos de desestabilizar a situação na Bielorrússia através dos métodos de guerra moderna e queremos empreender ações correspondentes contra isso. Estou me referindo às intenções da nossa ‘quinta coluna' com apoio e financiamento por parte de fundações ocidentais (não estou intimidando ninguém, isto é algo que nós sabemos ao certo), […] e às tentativas de aumentar a tensão na Bielorrússia", destacou o presidente.

O início das atividades da USAID no país não é o único fato que provocou preocupação do líder bielorrusso. Nos finais de novembro, o site oficial do Departamento de Estado dos EUA publicou outra proposta de patrocínio de jornalistas bielorrussos.

O órgão prometeu alocar 520 mil dólares para a preparação de "jornalistas independentes" na Bielorrússia, entre outras coisas para cobrir as eleições presidenciais de 2020. Nesta proposta, se destaca que os projetos devem ter o potencial de causar "um impacto imediato que conduza a reformas sustentáveis a longo prazo".

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O Departamento de Estado dos EUA também destina 800 mil dólares para financiar as organizações públicas ucranianas que supervisionem as autoridades locais em relação aos assuntos de corrupção e se ocuparem da construção de relações com os meios de comunicação regionais.

O convidado do serviço russo da Rádio Sputnik, Vladimir Bichkov, assinalou que as organizações mencionadas visam "criar esferas de influência norte-americanas nos países de interesse da inteligência dos EUA". O especialista também estabeleceu um paralelo com a situação na Ucrânia, aonde "Washington investiu 5 bilhões de dólares" através de atividades similares para alcançar o resultado desejado no inverno de 2013-2014.

Lukashenko também revelou ainda que dezenas de milicianos que estariam preparando uma provocação armada foram detidos no território bielorrusso. Um dos acampamentos se encontrava na região de Bobruisk, os restantes — na Ucrânia. Os sabotadores estariam sendo financiados através da Polônia e Lituânia, comunicou o chefe do Estado bielorrusso.

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