22:27 23 Setembro 2017
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    Soldado ucraniano próximo de tanques em um prédio de Avdiivka, leste da Ucrânia, quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

    Deputado ucraniano pede que Poroshenko cumpra promessas de paz pré-eleição

    © AP Photo/ Evgeniy Maloletka
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    Esta semana, a situação na Ucrânia piorou, com os confrontos se intensificando entre as forças de Kiev e milícia da República Popular de Donetsk. Preocupado com a situação, o opositor da Suprema Rada, o parlamentar Vadim Novinsky lembrou ao presidente Petro Poroshenko de sua promessa eleitoral de 2014 de encerrar a guerra emDonbass.

    Esta semana, a cidade de Avdiivka, na região de Donetsk, e sua população de 17 mil habitantes, foram levados à beira de uma catástrofe humanitária depois de uma intensa luta entre militares ucranianos e milícias locais, deixando a cidade sem eletricidade, aquecimento e água. Estima-se que a luta tenha deixado mais de 40 mortos e mais de 100 feridos.

    Cada lado está acusando o outro de iniciar a violência. Entretanto, grande parte da mídia ocidental ocidental acusou Moscou de usar a violência para "testar" o presidente Trump. Observadores russos se opuseram, sugerindo que o pico na violência é uma tentativa flagrante de Kiev para descaracterizar a possível normalização nos laços russo-norte-americanos.

    Em meio à crescente violência, Vadim Novinsky, parlamentar de oposição na Suprema Rada, fez um apelo ao parlamento e ao presidente ucraniano, pedindo-lhe que cumprisse sua promessa de campanha de maio de 2014 para acabar com a guerra fratricida no leste.

    "Quero lembrar a Petro Alekseyevich que, há quase três anos, ele prometeu acabar com a guerra em duas semanas. Foi por causa dessa promessa que ele recebeu apoio incomparável", escreveu Novinsky em um post em sua página no Facebook.

    Militares ucranianos carregam munições de guerra no tanque em Avdeevka, leste da Ucrânia, 2 de fevereiro de 2017
    © AP Photo/ Evgeniy Maloletka
    Militares ucranianos carregam munições de guerra no tanque em Avdeevka, leste da Ucrânia, 2 de fevereiro de 2017

    "Três anos se passaram, e as pessoas ainda estão morrendo no Donbass", acrescentou o legislador.

    "Petro Alekseyevich, cumpra a sua promessa — pare a guerra!" — insistiu Novinsky. "Isso é algo que está inteiramente dentro de sua competência… Agora tudo o que é possível deve ser feito o mais rapidamente possível para parar esses ataques e para separar os lados conflitantes".

    Acusando ambos os lados de violar os acordos de Minsk, assinado em 2015 na esperança de acabar com o conflito no leste, o político observou junto com Avdiivka, Donetsk e Makiyivka também "enfrentou intenso bombardeio usando vários lançadores de foguetes múltiplos (MLRS), de grande calibre, artilharia e tanques, todos proibidos [pelos acordos de] Minsk".

    "Ontem, as pessoas estavam morrendo novamente — muitas pessoas", lamentou Novinsky. "Em ambos os lados da linha de contato, os civis estavam morrendo, suas casas, escolas e instalações médicas se transformaram em ruínas. Este pesadelo tem uma explicação simples: para muitos dos envolvidos na tomada de decisões, a guerra é mais rentável do que a paz".

    No entanto, o parlamentar ressaltou que "a paz é possível, é necessário apenas deixar de lado os interesses partidários e mercantis e fazer todo o possível para assegurar que os protocolos dos acordos de Minsk sejam implementados o mais rapidamente possível. "Enquanto os acordos de Minsk não forem implementados, crises como a de Avdiivka vão continuar surgindo".

    Tanques ucranianos no pátio de um bloco de apartamentos em Avdiivka, leste da Ucrânia
    © AP Photo/ Evgeniy Maloletka
    Tanques ucranianos no pátio de um bloco de apartamentos em Avdiivka, leste da Ucrânia

    Nos termos dos acordos de Minsk, assinados em fevereiro de 2015 na capital bielorrussa de Minsk, Kiev é obrigado a introduzir mudanças na constituição ucraniana, concedendo ampla autonomia às regiões separatistas e outras concessões, incluindo anistia para os combatentes de milícias, a libertação de pessoas presas ilegalmente entre outras disposições. No entanto, o governo ucraniano exigiu que o controle sobre as fronteiras orientais das regiões controladas pela milícia deve ser restaurado em primeiro lugar, levando a preocupações entre os líderes das rupturas que Kiev quer cercá-los antes de reiniciar sua campanha militar.

    Criticando seus colegas legisladores por não ter conseguido avançar nas seções políticas do protocolo de Minsk, Novinsky ressaltou que "nada impede o parlamento ucraniano de votar os acordos de Minsk, incluindo a reforma constitucional… Isso demonstraria um verdadeiro compromisso de resolver o conflito por meios pacíficos, em vez de esperar por anos, quando surge a ilusória oportunidade de implementar o "cenário croata" [de reintegração gradual]".

    "Se este parlamento não está pronto para implementar os acordos — se as autoridades pensam que salvar a coalizão e seus interesses eleitorais estreitos é mais importante do que vidas humanas, é necessário que o parlamento renunciar e encontrar novas autoridades", observou o político. Ele acrescentou que todos aqueles que sabotar deliberadamente o processo de paz devem ser submetidos a sanções internacionais.

    Na semana passada, o Ministério da Defesa ucraniano anunciou que "metro a metro, passo a passo, tendo a oportunidade, nossos homens estão heroicamente avançando". A Rússia, que, juntamente com a França e a Alemanha, serve de mediadora no conflito, interpretou o comentário como uma admissão de fato de que as Forças Armadas ucranianas estavam minando Minsk e realizando operações ofensivas.

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    Tags:
    M270 MLRS, Forças Armadas da Ucrânia, Ministério da Defesa da Ucrânia, Suprema Rada, Pyotr Poroshenko, Vadim Novinsky, Alemanha, França, Makiyivka, Bielorrússia, Minsk, Ucrânia, Kiev, Donetsk, Avdiivka
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