14:10 20 Junho 2018
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    Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno dos Santos, junto ao primeiro-ministro português António Costa e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, durante uma sessão parlamentar para votar a proposta de orçamento do governo para 2017 no parlamento português em Lisboa, em 29 de novembro de 2016

    Parlamento português critica política de Trump

    © AFP 2018 / PATRICIA DE MELO MOREIRA
    Europa
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    Todos os partidos portugueses criticaram, cada um a seu modo, a política do presidente norte-americano, Donald Trump, mas nem os partidos da esquerda acordaram os termos concretos, por isso cada um optou por apresentar seu próprio voto de condenação.

    O objetivo era que o Parlamento português fosse unânime na condenação pelo "desrespeito dos direitos humanos e liberdades" subsequente às políticas que têm sido adotadas por Trump, mas o parlamento virou uma autêntica manta de retalhos para aprovar os termos concretos da condenação.

    No final, só os votos de condenação do PS, PSD e CDS foram aprovados, informa Observador. "Mas não foi fácil", sublinha a edição.

    O voto do Partido Socialista (PS) foi o mais unânime, a esquerda votou a favor e a direita se absteve. O PS respondeu na mesma moeda e se absteve nos votos apresentados pelo Partido Popular (CDS) e Partido Social Democrata (PSD).

    Os projetos da esquerda foram inviabilizados por alguns deputados socialistas, que nestas votações preferiram ficar ao lado do PSD e CDS em vez de votarem com a sua bancada. E houve dois deputados da bancada do PS que votaram a favor de todos os votos de condenação.

    O que queria cada um dos partidos?

    O PS concedeu o texto mais neutro, concentrado na condenação da lei Protegendo a Nação contra a Entrada de Terroristas Estrangeiros nos Estados Unidos. O texto chamou esta lei de "retrocesso civilizacional". Assim, os socialistas quiseram que a Assembleia da República "lamentasse" as restrições à imigração impostas pelo Presidente dos EUA e "manifestasse profunda preocupação pelo significado de tais restrições".

    O PSD decidiu se concentrar na defesa das relações transatlânticas e apelou ao Governo de Portugal para renovar os projetos de que elas fazem parte. Já que o partido sempre apoia organizações internacionais, tais como a OTAN e a UE, ele afirma que as ações da administração Trump "desvalorizam" acordos alcançados com estas alianças, "fragilizando" laços entre "as duas margens do Atlântico Norte".

    Por isso, os sociais-democratas quiseram apelar à União Europeia para que falasse "a uma só voz" na defesa dos compromissos internacionais e dos direitos humanos, "incluindo os direitos dos refugiados".

    As posições do Partido Comunista Português (PCP), Bloco de Esquerda (BE) e PS foram parecidas no ponto de condenação das "políticas que desrespeitem os direitos dos refugiados e migrantes", se concentrando na ordem recente de Trump sobre a proibição da entrada de imigrantes de países muçulmanos e na construção do muro com o México.

    Assim, os comunistas queriam que a Assembleia da República condenasse "as políticas que desrespeitam os direitos dos refugiados e migrantes, nomeadamente as adotadas pela administração Trump".

    O Bloco de Esquerda condenou todas as "declarações e deliberações da administração Trump" que sejam contrárias aos princípios dos direitos humanos, igualdade de gênero, liberdade de imprensa, liberdade religiosa, respeito pelos acordos sobre as alterações climáticas, combate à xenofobia, racismo e sexismo.

    O CDS também se preocupou com a lei Protegendo a Nação contra a Entrada de Terroristas Estrangeiros nos Estados Unidos. O texto do partido se concentrou somente nesta questão da proibição da entrada de refugiados procurando abrigo nos EUA. O CDS considera o rompimento dos fundamentos humanistas da civilização ocidental, "a melhor tradição americana".

    No final do voto, o partido relembrou a "relação sólida de amizade e aliança entre Portugal e EUA" antes de expressar "preocupação" pelas ações de Trump e pelos "efeitos negativos que podem gerar na ordem internacional" e também lamentou "o agravamento das divergências entre UE e os EUA" na resposta às ameaças à segurança comum.

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    Tags:
    Partido Democrata, Partido Republicano, muçulmanos, imigrantes, política, refugiados, sanções, Donald Trump, Portugal, EUA
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