16:09 18 Fevereiro 2020
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    Se a Rússia e os Estados Unidos juntarem seus esforços antiterroristas e lançarem uma operação de grande escala para atacar o Daesh no Oriente Médio, os militantes provavelmente fugirão para os Bálcãs, principalmente para Bósnia e Herzegovina, disseram especialistas à Sputnik Sérvia.

    A Bósnia será um "refúgio ideal de último recurso" para os terroristas que venham a fugir do Iraque e da Síria devido à existência de infraestrutura islâmica no país, afirmou o especialista em terrorismo, Djevad Galijasevic, a Sputnik Sérvia.

    "A infraestrutura islâmica existe há três décadas na Bósnia. Não há obstáculos que dificultem seu desenvolvimento. A propaganda de [ideias radicais] e a ajuda financeira [aos extremistas] continuam inabaláveis. Pode-se comprar qualquer arma na Bósnia. Alguns terroristas têm seus próprios bancos", detalhou.

    Milan Pasanski, presidente do Fórum para o Estudo do Terrorismo Internacional, compartilhou esses sentimentos, afirmando que os militantes provavelmente vão se recusar a cruzar as fronteiras da União Europeia caso os serviços de aplicação da lei e antiterrorismo da UE estejam em alerta máximo, instalando-se na periferia europeia, principalmente no Kosovo, na região sérvia de Sandzak e na Bósnia.

    Os últimos desenvolvimentos na Áustria parecem confirmar a avaliação de Pasanski.

    Na semana passada, o imã Nedzad Balkan foi detido na capital austríaca, Viena. Galijasevic descreveu-o como o fundamentalista islâmico mais radical, mas não o mais perigoso, de origem bosniana.

    "Balkan é considerado um especialista na interpretação de textos religiosos islâmicos, particularmente aqueles sobre o profeta Ibrahim. Balkan fundou o projeto Ibrahim Milleti. Há vários anos, a polícia alemã realizou uma operação de larga escala para capturar e prender Wahhabis — afiliados ao projeto", disse o analista.

    "Ele é o islamista mais radical que possui laços com a Bósnia e Herzegovina em Viena, mas não é o mais perigoso. O hafiz Muhamed Fadil Porca, que representa a união Dawa Salafia, é o mais perigoso."

    O analista acrescentou que Nedzad Balkan continua ativo fora de Viena, realizando operações nas cidades austríacas de Linz, Klagenfurt e Graz. Ele também atuou em outros países, principalmente na Suíça e Alemanha.

    "Ao deter Nedzad Balkan, as autoridades austríacas indicaram que caso a segunda onda de refugiados chegue, não será ignorada a possibilidade de haver terroristas entre os refugiados. É sabido que Viena se tornou um lugar onde os fundamentalistas islâmicos, alguns vindo da Bósnia, reúnem-se", disse Pasanski.

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    Tags:
    terrorismo islâmico, wahhabismo, abrigo, refúgio, militantes, UE, Daesh, União Europeia, Sputnik, Estados Unidos, Rússia, Bósnia e Herzegovina, Bálcãs, Kosovo, Viena, Suíça, Áustria, Oriente Médio, Sérvia, Alemanha
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