22:04 22 Maio 2019
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    Manifestantes do Montenegro participam no protesto contra a adesão do país à OTAN

    Trump está dificultando adesão de Montenegro à OTAN?

    © REUTERS / Stevo Vasiljevic
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    Já pela quarta vez, os EUA adiaram a votação no Congresso quanto à ratificação de um protocolo sobre a adesão de Montenegro à OTAN. Qual é o motivo para isso – atitude cautelosa da nova administração norte-americana ou apenas o fato dos legisladores terem, por enquanto, outros assuntos importantes para resolver?

    Segundo afirma o cientista político Milan Krstic da Faculdade de Ciências Políticas de Belgrado, a segunda opção é mais provável.

    Em uma conversa com a Sputnik Sérvia, o especialista assinalou que, no momento atual, não está claro a composição completa da administração de Trump, sendo que agora isso é prioridade para o Senado.

    "Ao mesmo tempo, há certo grau de cautela política. Todos estão esperando o momento em que a composição da administração esteja completa. Somente depois é que os senadores, primeiramente os republicanos, que talvez tenham dúvidas quanto ao assunto, em concordância com a administração, vão tomar uma decisão final quanto a Montenegro", explicou Krstic.

    "Afinal de contas, os Estados Unidos ratificarão o documento sobre a adesão montenegrina à Aliança, já que, com todo o respeito, este país desempenha um papel bem pequeno no sistema das relações internacionais. Por isso, se EUA e Rússia chegarem a um compromisso, ele não estará relacionado a Montenegro", continuou.

    O analista acredita que os EUA vão realizar o projeto de um modo que não toque muito a Rússia, mas, ao mesmo tempo, vão fazer concessões em assuntos mais importantes, tais como o problema ucraniano e do Oriente Médio.

    Entretanto, as fontes da Sputnik familiarizadas com a situação em Washington afirmam que o embaraço na votação pode estar ligado ao fato de todos quererem ouvir a opinião do próprio presidente sobre o assunto.

    Montenegro
    © Sputnik / Sergei Kirkach
    Não se pode excluir a hipótese de Trump planejar, primeiro, purificar o Departamento de Estado e conceder "aposentadoria" aos democratas que o dominam, e só depois se debruçar sobre os assuntos mais importantes da agenda internacional.

    Entretanto, um dos líderes do movimento montenegrino Frente de Desespero, Marko Milacic, enviou uma carta aos senadores norte-americanos, pedindo-lhes para "não se afiliar a uma organização criminosa", referindo-se ao regime atual montenegrino que está no poder desde o início da década de 90.

    Segundo a carta, o documento sobre a ratificação foi apresentado ao Senado em um ato de "sacanagem total" dos cidadãos de Montenegro e o processo de sua adesão à OTAN não é nem legítimo, nem legal.

    De acordo com Milacic, a integração euroatlântica de Montenegro é "mais uma manipulação das autoridades criminosas, um pingo no oceano de não democracia".

    O ativista apresentou os resultados de todas as "enquetes justas", conforme as quais "a maioria dos cidadãos se manifesta a favor do status neutro e não intervenção nos conflitos globais".

    Montenegro não quer entrar nos blocos militares, não quer se encontrar à mira de quem quer que seja, diz-se na carta.

    O oposicionista reconhece, porém, que, em sua maioria, os montenegrinos querem entrar na União Europeia, mas não na OTAN, como já o fizeram a Malta e a Áustria, ou seja, figurar na lista dos países pequenos, neutros e prósperos, onde, por exemplo, não há atentados.

    "Os montenegrinos não querem ser carde de canhão nos jogos geopolíticos", frisa Milacic.

    Ao finalizar seu recado, o ativista realça com ar emocionado:

    "Será que precisam de um país que nunca será leal à OTAN? Será que querem que à mesa [das negociações] da Aliança esteja o povo que nunca desculpará o fato de vocês terem matado civis, seus filhos? Será que vocês precisam de um país que, além de ter sido introduzido à Aliança por autoridades criminosas, considera, em sua maioria, a política [da OTAN] como não amistosa? E será que vocês da OTAN precisam de um país cujo orçamento militar é de 30 milhões de euros (ou seja, menos que o preço de tanques Abrams), com uma economia arruinada, na qual vocês lançariam recursos financeiros enormes, que seriam sugados pelos criminosos, aqueles mesmos que se sentariam ao lado de vocês à mesa e começariam a tomar decisões conjuntas?"

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    Tags:
    bloco militar, ratificação, adesão, Senado dos EUA, OTAN, Donald Trump, EUA, Montenegro
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