16:19 26 Setembro 2020
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    2017 será o ano da desinformação por parte da Rússia contra Angela Merkel. Mas a UE dará resposta através do grupo operativo de comunicações estratégicas, The East StratCom Task Force, responsável pela detecção de informações falsas na Internet.

    Os soldados da área de informação do Kremlin escolheram Angela Merkel como pessoa do ano. Isso foi firmado por uma fonte de Bruxelas, cujas palavras foram citadas pela AFP: a chanceler da Alemanha talvez já fosse um dos alvos prediletos da "campanha de desinformação", efetuada pela Rússia em 2016, campanha essa que deverá se tornar muito mais forte neste ano que antecede as eleições presidenciais.

    Informações duvidosas na Internet serão controladas pelo The East StratCom Task Force, grupo operativo criado pela Comissão Europeia em 2015.

    "É interessante, primeiramente, seu nome — StratCom, ou seja, comunicações estratégicas — um dos delicados eufemismos usados pelos círculos ligados aos centros de observação dos EUA ou da OTAN para reconhecimento de propaganda ou contrapropaganda", diz François-Bernard Huyghe, diretor do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS).

    O grupo operativo possui seu próprio site, que, como farol, brilha na escuridão da desinformação. Cerca de 10 pesquisadores cooperam com a rede, que conta com 400 funcionários: especialistas, jornalistas, oficiais, associações científicas e centros de análise de mais de 30 países, que publicam "histórias, que não correspondem aos fatos, mas estão acessíveis a todos". No entanto, frequentemente, conclusões são tiradas a partir de discordâncias com a política das redações, e não a partir de fatos.

    "Trata-se de mentiras intencionais usadas para objetivos estratégicos. Criticar essa ilusão ideológica é pouco […], deve-se mostrar que se trata de enganação proposital, ou seja, quando alguém publica informação mentirosa com más intenções ou quando ele mesmo a cria", continua François-Bernard Huyghe.

    O site do grupo operativo tem 13 mil seguidores no Twitter e 11 mil no Facebook. O objetivo principal do grupo é denunciar "notícias falsas" publicadas pelo Kremlin ou do interesse da fortaleza russa. Mas a eficiência desses instrumentos é bastante limitada, sublinha François-Bernard Huyghe:

    "[Esse grupo] não influencia significativamente a opinião pública. <…> Isso tudo é somente para dizer que a Sputnik França possui, além de direcionamento pró-russo, opinião diferente da propagada pela União Europeia."

    Essa iniciativa europeia foi lançada para combater informações falsas, mas, no final das contas, ela começou a dar justificativas. No site The East StratCom Task Force está escrito: "análise da desinformação publicada não deve ser considerada posição oficial da UE", pois os comentários dos usuários da "rede de denúncia" servem de base.

    "Durante muitos anos chegamos a achar que a inteligência e a elite criticavam as principais mídias, criticavam ideias propagandeadas pela publicidade, imprensa recreativa, criticavam ideologia do nosso governo e estimulavam que as pessoas buscassem a verdade ou versões alternativas nas redes sociais […]. Mas, tudo indica que a situação é outra. A elite incentiva para que todos voltem a acompanhar programas de televisão e a comprar revistas em bancas de jornal, ao invés de acompanhar mídias nas redes sociais por serem consideradas instrumentos de desinformação, rumores etc.", explicou o diretor.

    O Parlamento Europeu quer intensificar a luta contra "informação falsa". Em novembro de 2016, foi proposto um projeto de resolução pela legisladora polonesa Anna Elzbieta Fotyga que busca combater "propaganda de países terceiros". O relatório especifica que "as propagandas, que vão contra União Europeia e seus membros, têm por objeto alterar a verdade, semear dúvidas, separar a União e seus parceiros norte-americanos, paralisar a tomada de decisões e provocar medo e incerteza entre os cidadãos". Dos 691 legisladores que participaram da votação, 304 votaram a favor da resolução, 179 votaram contra e 208 se abstiveram. Para aprovação, era necessária pelo menos a metade dos votos, coisa que não conseguiram.

    Quanto ao The East StratCom Task Force, o instrumento de propaganda e contrapropaganda, suas atividades por enquanto não estão checando fatos para comprovação de notícias. Seria prudente confiar no grupo citado acima?

    P.S.: O grupo operativo The East StratCom Task Force está evitando responder aos comentários da Sputnik França.

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    Tags:
    guerra da informação, falsificação, grupo, comunicações, propaganda, redes sociais, Internet, UE, Kremlin, Twitter, Facebook, Parlamento Europeu, Comissão Europeia, Anna Fotyga, Angela Merkel, Europa, Rússia
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