00:24 20 Maio 2019
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    Kiev, Ucrânia (foto de arquivo)

    Relatório sugere que alteração nas relações entre Rússia e EUA influenciará Kiev

    © Sputnik / Stringer
    Europa
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    Se as relações entre a Rússia e os EUA mudarem significativamente, terá consequências muito importantes para a política exterior e a economia da Ucrânia, revela o relatório sobre a Ucrânia da Raiffeisen Research.

    "Quaisquer mudanças significativas nas relações entre os EUA e a Rússia irão ter consequências graves e complexas para a política exterior e interior da Ucrânia, mesmo como para a economia do país, devido à sua dependência do apoio financeiro internacional e bilateral ocidental e ao papel crucial dos institutos do Ocidente na área de reformas estruturais do país", diz o documento do Raiffeisen Research.

    Entretanto, os analistas referem que por enquanto, apenas se trata de suposições, uma vez que até 20 de janeiro, data em que a nova Administração Trump entrará em funcões, não se conhece a orientação da sua política exterior.

    Os resultados das eleições presidenciais provocaram receios de que um potencial "acordo" entre Moscou e Washington poderá resultar em incerteza e redução do apoio à Europa Oriental pelos Estados Unidos. Além disso, as declarações do presidente eleito, feitas durante a corrida presidencial e após as eleições, bem como algumas nomeações efetuadas, causam preocupação na Ucrânia, informa o relatório.

    Do ponto de vista econômico, o desacordo quanto ao programa atual de concessão de créditos a Kiev por parte do Fundo Monetário Internacional, que deverá ser prolongado até 2018 em troca de reformas, seria um cenário muito negativo de desenvolvimento dos eventos.

    "Em certas áreas, o governo ucraniano fez um enorme esforço para manter esse programa devido aos interesses econômicos da Ucrânia, que impedem o país de realizar as condições do programa completamente. Tendo isso em conta, pensamos que havia um aspecto geopolítico nas decisões das autoridades do Fundo Monetário Internacional de continuar prestando apoio financeiro à Ucrânia", indica o relatório.

    De acordo com os analistas do Raiffeisen Research, após a posse de Trump, e considerando o papel importante que os EUA desempenham no Fundo Monetário Internacional, "as autoridades ucranianas irão ter dificuldades no que se refere ao programa do Fundo, se os principais requisitos, tais como o combate à corrupção e promoção das reformas estruturais, não forem respeitados".

    Claro que as autoridades ucranianas podem "intensificar seus esforços para respeitar as condições mínimas do programa", frisam os especialistas.

    Conforme o relatório, nas capitais europeias existe, durante algum tempo, um certo "cansaço ucraniano". O documento lembra o apoio financeiro dos EUA para a Ucrânia em forma de obrigações soberanas do país. Apesar de não estarem previstas novas garantias, a Administração Trump poderá estar menos disposta a fornecer apoio financeiro a Kiev do que a Administração norte-americana anterior. É pouco provável que isso contribua para a estabilidade financeira no país, mas não podemos subestimar o efeito psicológico de redução do apoio pelos EUA.  Se o apoio da Ucrânia pelos EUA for reduzido, o país pode "ser deixado" para a União Europeia. No entanto, os autores do relatório "não veem que a UE expresse grande desejo de prestar apoio financeiro adicional à Ucrânia".

    É importante destacar que, não obstante tudo isso, os analistas consideram que o cenário principal de desenvolvimento dos eventos na Ucrânia será o prolongamento de concessão de créditos da parte do Fundo Monetário Internacional, havendo inclusive a possibilidade de receber uma nova tranche no fim de janeiro ou no início de fevereiro.

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    Tags:
    mudanças, esforços, administração, créditos suplementares, programa, investimento externo, apoio, eleições nos EUA, Fundo Monetário Internacional, UE, Donald Trump, Rússia, Kiev, Ucrânia, EUA
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