00:53 26 Setembro 2017
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    A Ministra de Defesa alemã, Ursula von der Leyen, com soldados da infantaria depois dos exercícios militares na parte sul da Alemanha, em 23 de março, 2016

    Deitando azeite no fogo: Berlim vai treinar militares sauditas

    © AFP 2017/ CHRISTOF STACHE
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    O Bundeswehr alemão vai treinar oficiais sauditas apesar das preocupações com as atrocidades cometidas pelos militares sauditas no Iêmen.

    Segundo o jornal alemão Tagesspiegel, durante uma visita oficial a Riad na quinta-feira (8), a ministra alemã da Defesa Ursula von der Leyen discutiu essa proposta com seu homólogo saudita Mohammad bin Salman.

    Berlim lançou pela primeira vez a ideia de treinar alguns membros das forças armadas sauditas em 2015, e está previsto que entre três e cinco oficiais sauditas serão treinados pelo Bundeswehr na Alemanha por ano.

    A proposta suscitou críticas dos partidos da oposição que se opõem aos laços militares de Berlim com Riad, dado que a Arábia Saudita lançou uma campanha de bombardeamento contra o Iêmen em março de 2015. No final de agosto, a ONU havia estimado o número de mortes de civis em 3.799, com os ataques aéreos da coalizão liderada pelos sauditas responsáveis por cerca de 60% das mortes.

    A porta-voz da Defesa do Partido Verde, Agnieszka Brugger, pediu ao governo alemão que "acabe com a política indescritível e irresponsável do governo federal de se eximir [das críticas à sua relação com Riad]".

    Em julho, o ministro alemão da Economia, Sigmar Gabriel, anunciou a entrega dos primeiros barcos-patrulha militares à Arábia Saudita, após um acordo acordado em 2013 para venda de 48 desses barcos a Riade.

    "A Arábia Saudita é um estado sem lei e está travando uma guerra no Iêmen. Não existe uma única boa razão para autorizar a exportação de armas", disse o especialista em controle de armas do partido de esquerda Die Linke, Jan van Aken, ao jornal Frankfurter Rundschau.

    Em 2012, foi relatado que o governo alemão tinha dado aprovação à venda de 270 tanques Leopard 2 à Arábia Saudita, embora Sigmar Gabriel tenha negado a possibilidade de tal acordo.

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    Bundeswehr, Mohammad bin Salman, Ursula von der Leyen, Arábia Saudita, Alemanha
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