14:46 21 Setembro 2018
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    Monumento da Independencia em Kiev, Ucrânia

    EUA estão insatisfeitos com Kiev e querem 'entregar Ucrânia' à UE ou Rússia

    © Sputnik / Yevgenia Novozhenina
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    Washington está perdendo a confiança no presidente da Ucrânia, Pyotr Poroshenko e está buscando "candidatos alternativos", escreve o jornal ucraniano Vesti.

    As autoridades no poder já perderam um contato com a equipe do presidente eleito dos EUA Donald Trump: a primeira vez que ele teve um contato com Kiev foi só uma semana após sua vitória. Imediatamente após a votação nos EUA, Poroshenko conseguiu "felicitar" apenas a embaixadora dos EUA na Ucrânia Marie Yovanovitch e isso, segundo apontam os interlocutores do jornal, é um forte sinal de irritação de Washington em relação a Kiev.

    "A Ucrânia jogou no campo de Clinton, mas Paul Manafort [o chefe da sede eleitoral de Trump] tem boa memória, já para não falar de Trump, que tem uma memória excelente. Isso foi imperdoável", disse o conselheiro de Manafort ao Vesti.

    Segundo as palavras do analista político Vladimir Fesenko, Trump ainda não se definiu quanto ao assunto ucraniano. Além disso, o presidente não tem funcionários para se ocuparem da Ucrânia.

    "O risco são as suas negociações com a Rússia, até um possível acordo referente à Ucrânia: eles podem decidir algo por nós", cita o jornal as palavras de Fesenko.

    Além disso, as fontes do Vesti confirmam que Washington já não tem interesses diretos na Ucrânia.

    O presidente da empresa de gás Burisma Holdings (o filho do atual vice-presidente dos EUA, Joe Biden Hunter é um dos administradores da empresa) deu a entender que Washington não precisa mais do gás de xisto da Ucrânia e lembrou que Trump definiu como tarefa o desenvolvimento da produção petrolífera e exploração de depósitos de xisto internas.

    "Em qualquer caso, nós já não iremos ocupar o primeiro lugar na lista de prioridades dos EUA — no melhor dos casos, nós seremos entregues à Europa", sugere o analista político Vadim Karasev.

    Segundo o jornal, os EUA não irão decidir a questão ucraniana antes do verão de 2017, e está supostamente planejado tomar uma solução inequívoca — ceder as posições à Rússia.

    Neste contexto, os adversários de Poroshenko tentam estabelecer contatos no futuro Departamento de Estado. O ex-chefe do Serviço da Segurança da Ucrânia (SBU) Valentin Nalyvaichenko foi enviado aos EUA por YuliaTimochenko. É possível que Mikhail Saakashvili [político que foi presidente da Geórgia de 2004 a 2013, e que atualmente é governador de Odessa] e o bilionário de Donetsk Rinat Akhmetov, que antes trabalhou com Paul Manafort quando este era tecnólogo político do Partido das Regiões, estejam buscando aliados nos EUA para uma futura luta política.

    Entre a oposição estão buscando um possível líder ucraniano, o que, de acordo com os especialistas, fala da completa ausência de confiança em Pyotr Poroshenko. Ao mesmo tempo, a oposição tenta acelerar o momento da mudança de governo.

    "Muitos estão agora trocando de sapatos com sucesso, os que antes eram do pró-ocidentais agora se tornam centristas, dizem coisas mais positivas em relação à Rússia", disse o analista político Ruslan Bortnik.

    A equipe de Poroshenko, por sua vez, está trabalhando num plano para conservar as posições, há dois modelos — o "parceiro de treinamento" e o "sucessor", nota o jornal.

    Um "parceiro de treinamento" significa que Poroshenko será reeleito, escolhendo um oponente conveniente como, por exemplo, Oleg Lyashko. Os círculos do primeiro-ministro da Ucrânia Vladimir Groisman falam do "sucessor": Poroshenko renunciaria aos poderes aparentemente por causa de problemas de saúde e nomearia o procurador-geral, Yuri Lutsenko, que está ganhando popularidade por via dos julgamentos de ex-"regionalistas" e oligarcas. Ao mesmo tempo, os especialistas também têm contra-argumentos a essas suposições.

    "Poroshenko não vai desistir da luta por um segundo mandato, exceto se entender que não tem nenhuma possibilidade. Em 1999, o índice de popularidade de Kuchma era menor do que é agora o de Poroshenko, mas ele se tornou presidente. Aqui, é necessário ter em conta as tecnologias e a consolidação das elites", concluiu Vladimir Fesenko.

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    Tags:
    líder, presidente, confiança, eleições, UE, Departamento de Estado dos EUA, Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), Paul Manafort, Marie Yovanovitch, Donald Trump, Rinat Akhmetov, Vladimir Groisman, Hillary Clinton, Mikhail Saakashvili, Pyotr Poroshenko, Kiev, EUA, Ucrânia, Washington, Rússia
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