12:46 23 Agosto 2017
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    Giulietto Chiesa

    'O que farão comigo por colaborar com a Sputnik?'

    © Sputnik/ Eugene Odinokov
    Europa
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    Resolução europeia contra Sputnik (22)
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    Giulietto Chiesa, chefe do portal on-line Pandora TV e jornalista independente, fez um comentário a respeito da resolução escandalosa do Parlamento Europeu.

    No seu texto à Sputnik Itália ele comunicou o seguinte.

    ***

    Ontem, o Parlamento Europeu adotou a resolução que define os meios de comunicação russos como uma ameaça à soberania dos países europeus. A resolução, iniciada e primeiramente assinada pela deputada Anna Fotyga, ex-ministra das Relações Exteriores polonesa, compara a mídia russa com o Daesh, e isso é um recorde da mania russófoba que hoje é muito popular em alguns círculos do Ocidente.

    No entanto, o resultado da votação foi um sinal indicador da mudança de rumo entre os políticos antirrussos no Parlamento Europeu. Apesar da influência do lobby antirrusso com centenas de deputados (estes "legisladores sentem nostalgia da Guerra Fria e gastam a maior parte de seu tempo inflamando a hostilidade contra o grande vizinho da Europa), desta vez – ao contrário da votação anterior sobre um tema semelhante – 304 deputados votaram a favor da resolução, 179 estiveram contra e 208 não votaram. Ou seja, o número de adversários e dos que não votaram supera aqueles que estiveram "a favor".

    É evidente que uma grande incerteza se revela na UE: é melhor continuar a política de ataques a Moscou ou pará-la? É claro que muitos deputados estão esperando e não entendem para onde agora "sopra o vento", nomeadamente, o vento de Washington, onde Donald Trump, inesperadamente, foi eleito presidente.
    Ou seja, a Europa estará observando o que vai fazer o "Grande Irmão" sob o governo de um presidente invulgar de muitas formas.

    Claro que a maioria do Parlamento Europeu continua considerando a Rússia um "inimigo certo e implacável”, como sempre pensou e continua pensando a senhora Hillary Clinton.

    No entanto, o problema desta maioria é que para combater a Rússia, ela tem de violar os princípios fundamentais da Europa que estão ligados à liberdade de informação, especialmente ao capítulo 11 da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia e à resolução da UE de 11 de Dezembro de 2012.

    Para simplificar: o objetivo da resolução, segundo os argumentos usados nela, é o estabelecimento de uma forma de censura na mídia – todas as mídias, russas e não russas — que expressam pontos de vista divergentes ou opostos àqueles que expressam os grupos dominantes do Ocidente.

    Segundo os critérios indicados na resolução, na prática qualquer cidadão da UE que apoia, distribui, promove a crítica em relação ao Ocidente, estimativas e opiniões (por exemplo, escreve este artigo), poderá ser considerado "uma pessoa que apoia a propaganda do Kremlin e também poderá ameaçar a soberania de um ou outro país europeu ou da UE no seu todo.

    Qualquer pessoa entende que assim se dá um impulso para começar uma espécie de "caça às bruxas", que pode resultar no fechamento da boca de qualquer forma de discordância política na Europa.

    Há um caminho curto para se passar desta situação ao silenciamento de qualquer pessoa, cujas opiniões não coincidem com o mainstream do Ocidente, chamando-o de "traidor da pátria" e acusando-o de colaboração com o inimigo. Portanto, não é apenas uma questão do direito de divulgar no Ocidente os pontos de vista expressados pelos meios de comunicação russos, mas também da livre expressão de ideias dos jornalistas, blogueiros, ativistas que vivem e trabalham no Ocidente.

    A propósito, a autora da resolução, a já mencionada Fotyga, comentando sobre a votação, já está efetuando "propaganda hostil" e está falsificando os fatos quando acusa a Rússia de "anexação da Crimeia" e "agressão no leste da Ucrânia". Ambas as declarações são tendenciosas e falsas. Assim, é necessário chegar à conclusão que aqueles que não as partilham e não as criticam estão espalhando propaganda russa?

    Outro exemplo: como avaliar a opinião do candidato presidencial francês, o antigo primeiro-ministro François Villon, que recentemente venceu Sarkozy nas primárias? Como um propagandista do Kremlin? Se você acredita nas afirmações da senhora Fotyga e nos 303 deputados que a apoiaram, Villon também se tornou um "propagandista" russo e "uma ameaça à soberania europeia." Ele disse à Radio Europe 1 que "nos últimos anos, o Ocidente transformou a Rússia num inimigo virtual," apelando para "não acreditar" que "a Rússia é o inimigo da Europa".

    Tema:
    Resolução europeia contra Sputnik (22)

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    Tags:
    mídia russa, inimigo, ameaça russa, propaganda, resolução, Daesh, Kremlin, Parlamento Europeu, Anna Fotyga, Giulietto Chiesa, Itália, Europa
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