09:44 13 Junho 2021
Ouvir Rádio
    Europa
    URL curta
    113
    Nos siga no

    Nos dias 21-23 de novembro o Parlamento Europeu (PE) realizará debates e votação em torno da resolução "As comunicações estratégicas da UE como resistência à propaganda de terceiros".

    Em outubro os membros da Comissão de Relações Exteriores do PE aprovaram o texto da resolução, que adverte sobre o perigo da "propaganda inspirada pelo Kremlin" e sobre a necessidade de reforçar as medidas de combate contra ela.

    Em entrevista à Sputnik França, Sophie Rauszer, responsável por assuntos internacionais no Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde (GUE/NGL) do Parlamento Europeu, informou que o relatório apenas reflete a posição do PE, acrescentando que o relatório será submetido a votação e será tomada uma decisão. Porém, segundo ela, o documento não é uma diretiva, nem uma lei vinculativa do PE.

    Apesar disso, o relatório permite à Comissão Europeia ter uma noção sobre a posição dos deputados do Parlamento Europeu e, caso seja aprovado, será visto como a "voz" do Parlamento Europeu, destaca Rauszer.

    Segundo ela, para o seu partido isso cria um problema: quando se usam termos como "propaganda", o grupo terrorista Daesh é colocado no mesmo nível de um estado-membro do Conselho de Segurança.

    "Aqui não há nada de novo. Além da comparação política com o Daesh, existe a questão da independência da mídia, que é um assunto global para o PE, onde existe "um grupo de descontentes" liderado pelos Países Bálticos e Polônia, que demonstra interesse elevado em questões de defesa na Europa após o Brexit", aponta Rauszer.

    Rauszer ressalta que esse grupo de "usa a linguagem do período da Guerra Fria, lembrando e criticando os tempos soviéticos".

    De acordo com ela, não houve uma posição unida sobre o relatório na Comissão de Relações Exteriores do PE, que preparou o projeto do documento para votação. Vinte deputados votaram a favor do relatório, 13 se abstiveram e cinco votaram contra.

    Na opinião de Patrick Louis, professor da Universidade Jean Moulin Lyon III, especialista em geopolítica e membro honorável do Parlamento Europeu, o texto submetido ao Parlamento é uma demonstração de medo, pois os parlamentares não sabiam que Trump venceria as eleições e que, em muitos países, as pessoas são contra a UE.

    Segundo Louis, esse relatório é inaceitável: o documento propõe estabelecer a diferença entre propaganda e informação, mas diz que a única saída para a UE é apoiar a mídia "apropriada". O especialista chama isso de "manipulação a nível estatal".

    Na visão de Louis, o relatório não define com clareza o que significa "propaganda" e o que quer dizer "informação". Ele destaca que a própria UE pode financiar a sua própria propaganda.

    O professor destaca que colocar a Rússia ao mesmo nível do grupo terrorista Daesh é algo inaceitável. Segundo ele, parece estranho que não surjam dúvidas em relação à "Turquia que deseja entrar na UE e onde o presidente Recep Tayyip Erdogan se comporta de maneira despótica, prendendo jornalistas".

    "Na minha opinião, este texto mostra que se trata mais da aproximação entre a UE e a OTAN do que da própria UE apoiando seus valores ", conclui o especialista.

    Mais:

    Parlamento Europeu planeja 'frear' adesão da Turquia à UE
    Parlamento Europeu: 'Política de sanções contra Rússia é teste para países da UE'
    Tags:
    manipulação, informação, opinião, propaganda, resolução, mídia, Brexit, Guerra Fria, UE, Daesh, Parlamento Europeu, Conselho de Segurança da ONU, OTAN, Recep Tayyip Erdogan, Países Bálticos, Polônia, Turquia, Europa, Rússia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar