00:13 24 Agosto 2017
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    Paraquedistas do Exército de Portugal (foto de arquivo)

    Exército português perde 2 comandos após treinamentos com temperaturas de 42 graus

    © flickr.com/ Allied Joint Force Command Brunssum
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    Dois comandos morreram no dia 4 deste mês em Portugal quando efetuavam treinamentos com temperaturas muito altas.

    O grupo de instruendos fazia a primeira das 12 semanas de treinamentos na região de Alcochete, no distrito de Setúbal. O primeiro militar que morreu, Hugo Abreu, de 20 anos, sentiu-se "indisposto durante uma prova de tiro" tendo sido de imediato assistido pelo médico que acompanhava a instrução, que lhe diagnosticou "um golpe de calor", de acordo com informações do Exército.

    O alerta foi dado 15h40 e o primeiro militar foi enviado para a enfermaria de campanha." Pouco depois, outro comando também se sente mal. Quatro horas e meia após ter entrado na enfermaria, às 19h00, o médico decide que os dois militares devem" ser transportados "para o Hospital das Forças Armadas", adianta o tenente-coronel Vicente Pereira, citado pelo jornal Público. Mas o transporte acaba por não se fazer e às 20h36 o militar entra em paragem cardiorrespiratória.  A ambulância dos serviços de emergência (INEM, Instituto Nacional de Emergência Médica) chegou sete horas depois de o jovem ter ficado inconsciente. Nessa altura, os socorristas tentaram a reanimação, tendo acabado por declarar o óbito às 21h45.

    No sábado seguinte, Dylan Silva, colega do mesmo curso e da mesma prova, viria a morrer no Hospital Curry Cabral quando aguardava um transplante de fígado.

    A mãe de Hugo Abreu acusa o Exército de ocultar a verdade.

    O canal de televisão RTP entrevistou vários instruendos do curso que também participaram na prova naquele domingo em que as temperaturas atingiram os 42 graus. Estes confirmam a versão da família. Um deles descreve os momentos seguintes à forte indisposição do colega: Hugo Abreu já estava "próximo da inconsciência, com imensas dificuldades respiratórias e foi forçado a engolir terra".

    Em um curto comunicado, o Estado-Maior do Exército afirmou à RTP que "o Exército aguarda as conclusões das investigações que determinarão se os procedimentos cumpriram o previsto, se houve alterações justificadas ou se houve alterações que, não se justificando, consubstanciem matéria disciplinar ou criminal".

    "Gostaria de reiterar duas coisas, aquilo que é a dor e o sentimento de perda das famílias dos dois jovens que faleceram e isso é algo que não se pode corrigir, não se pode reparar no seu sentido mais amplo. Em segundo lugar, que o Exército está a desenvolver o seu processo de averiguações e que estou absolutamente convicto que esse processo será feito com transparência e rigor, para apurar a verdade dos factos", sustentou.

    Alguns dias depois, o ministro da Defesa do país, Azeredo Lopes, declarou o seguinte, citado pelo jornal Público: "Gostaria de reiterar duas coisas, aquilo que é a dor e o sentimento de perda das famílias dos dois jovens que faleceram e isso é algo que não se pode corrigir, não se pode reparar no seu sentido mais amplo. Em segundo lugar, que o Exército está a desenvolver o seu processo de averiguações e que estou absolutamente convicto que esse processo será feito com transparência e rigor, para apurar a verdade dos factos".

    O golpe de calor ou insolação é uma situação resultante da exposição prolongada ao calor; num local fechado e sobreaquecido ou da exposição prolongada ao sol. É uma situação grave que necessita de transporte urgente para o hospital.

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    Tags:
    exército, comando, mortes, Portugal
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