07:00 14 Novembro 2019
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    Chefe das forças da OTAN na Europa, general Philip Breedlove

    EUA fazem 'todo o possível' para obstaculizar criação do exército europeu independente

    © REUTERS / Jonathan Ernst
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    Na quarta-feira, o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker apresentou seu discurso anual sobre o estado da União, em que ele sugeriu que a UE necessita de uma sede militar para trabalhar numa força militar comum, o cientista político Peter Schulze disse à Rádio Sputnik quem serão os adversários mais ferozes desta ideia.

    Falando em Estrasburgo, Juncker tocou uma série de questões, incluindo a necessidade de um quartel-general militar único na União Europeia para trabalhar na criação de uma força militar comum.

    "A Europa já não pode ser carregada nas costas do poderio militar dos outros ou deixar a França sozinha defendendo sua honra no Mali", disse o presidente da Comissão Europeia.

    "Nós temos que assumir a responsabilidade de proteger os nossos interesses e o modo de vida europeu."

    Ele ressaltou que a falta de cooperação militar significa que os países da UE perdem entre € 25 bilhões (R$ 93 bilhões) e € 100 bilhões (R$ 373 bilhões) por ano em missões militares separadas, mesmo quando elas são realizadas no mesmo país ou cidade.

    Para resolver o problema, o presidente da Comissão Europeia propõe criar uma sede única para as operações militares, uma estrutura permanente que permita à Europa "agir de forma eficaz" e criar um Fundo Europeu de Defesa para "acelerar" a pesquisa e inovação na indústria da defesa europeia.

    Peter Schulze, professor de ciência política da Universidade de Gotinga na Alemanha, explicou à Radio Sputnik o obstáculo que uma estrutura militar europeia unificada terá de enfrentar.

    "Há uma enorme concorrência entre a OTAN e a ideia de um exército unido europeu", disse.

    "As autoridades da OTAN, nomeadamente os EUA, vão fazer tudo o que for possível para impedir o desenvolvimento da estrutura independente de um exército europeu."

    O secretário-geral da OTAN Jens Stoltenberg com oficiais e funcionários militares em frente de um drone da OTAN sem nome, perto do Estádio Nacional PGE, o lugar da realização da cimeira da Aliança Atlântica na Varsóvia (Polônia). 8 de julho, 2016
    © REUTERS / Agencja Gazeta/Adam Stepien
    O cientista político também explicou que existe um conflito de interesses dentro da própria UE.

    Há mais de dois blocos na UE, pelo menos três ou quatro blocos, disse ele, e há uma ampla distinção entre aqueles que querem aprofundar o processo de integração e os outros.

    O bloco que defende a integração se estabelece entre Paris e Berlim e, possivelmente, Roma adira a esta "espécie de clube" no futuro.

    O primeiro-ministro italiano Matteo Renzi foi convidado como o terceiro parceiro para "este tipo de eixo ou comunidade" entre Paris e Berlim.

    Outros Estados-membros da União estão contra esse desenvolvimento, observou o especialista.

    Esses Estados formam o chamado "bloco transatlântico": são os Países Bálticos, Polônia, Romênia, Dinamarca e Suécia.

    "Assim, a UE é um animal muito estranho neste momento," concluiu o perito.

    No entanto, ele não acha que seja criada uma estrutura militar europeia.

    "O exército europeu só pode ser um exército com dois chapéus na sua cabeça", disse ele. "Isto significa um chapéu da OTAN e outro chapéu do exército europeu."

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    Tags:
    Exército dos EUA, exército europeu, Comissão Europeia, OTAN, Polônia, Países Bálticos, EUA, Itália, Alemanha, França, Europa
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