09:31 17 Fevereiro 2020
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    O coronel na reserva tcheco Marek Obrtel, ex-médico que participou dos combates no Afeganistão e que se tornou conhecido por devolver suas medalhas à OTAN, agora está formando uma milícia popular.

    Esta iniciativa já foi criticada pelo canal alemão ARD. Os participantes desta milícia popular foram acusados de extremismo, de estarem ligados ao partido Narodni demokracie e de cumplicidade com a Rússia. Como disse o próprio coronel, tudo isso é "um rotulo que recebe cada indesejável" e que a criação da milícia popular foi ditada pela necessidade de proteger os cidadãos dentro do país.

    Mrek Obrtel, líder da milícia popular Národní domobrany [Autodefesa Popular], foi entrevistado pela Sputnik República Tcheca e destaca que o objetivo é passar a ser uma espécie de Guarda Nacional como a que funciona na Suíça.

    O coronel explica que o exército não está muito preocupado com a defesa do próprio país e visa combater em frentes longínquas como, por exemplo, na Europa ou nas fronteiras ocidentais da Rússia. O povo tcheco se inquieta devido aos últimos acontecimentos na França ou na Alemanha. A população se sente indefesa e precisa de ajuda. Os voluntários e a criação da Guarda Nacional são uma solução, acredita Marek Obrtel.

    Mas, como as autoridades não estão interessadas nessa atividade, elas não deram permissão.

    O coronel sublinha que a Carta dos Direitos Fundamentais, que faz parte da Constituição da República, diz que os cidadãos podem fazer frente a qualquer ameaça contra os direitos humanos e a liberdade democrática, caso os meios oficias legais não o consigam fazer. Hoje em dia os tchecos enfrentam a incapacidade dos órgãos oficiais.

    Falando das acusações de extremismo e cumplicidade com a Rússia, o coronel assinala:

    "Não podemos nos permitir praticar nenhuma ideologia, isso prejudicaria a ideia da nossa iniciativa popular. Somos uma organização apartidária aberta para todos que têm bom senso."

    De acordo com o coronel, atualmente existem 90 seções espalhadas por todos os povoados do país. E, se for necessário, há pessoas que podem defender a sociedade.

    A Sputnik aproveitou o caso e perguntou ao coronel sobre o seu ato de coragem — o retorno das medalhas à OTAN.

    "Ultimamente tenho pensado muito nisso, queria responder a mim mesmo a uma pergunta semelhante. Decidi até escrever um artigo sobre isso. Posso dizer o seguinte: apesar de tudo, estou feliz por ter feito isso. Não estou arrependido. Conforme os comentários que eu recebo, muitos compreendem o que eu fiz, eles também querem expressar seu protesto contra a política da OTAN, em particular em relação à Rússia. Mas, na verdade, não têm a coragem… Ainda. Mais são muitos."

    Tags:
    autodefesa, sociedade, iniciativa, OTAN, República Tcheca
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