12:35 27 Maio 2018
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    Torcedores russos no Euro 2016, na França

    FIFA 2018: será a Rússia capaz de sediar uma Copa do Mundo tão boa quanto a do Brasil?

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    Depois da chamada Copa das Copas, como ficou conhecido o Mundial de futebol realizado no Brasil em 2014, será a Rússia que terá a missão de receber esse evento esportivo que mobiliza bilhões de pessoas em todos os cantos do mundo, daqui a um ano. Mas será que os russos estão prontos para encarar esse desafio?

    A exatos 12 meses para a Copa do Mundo da Rússia, o país-sede do Mundial FIFA 2018 se esforça para mostrar a todos que realmente era o mais indicado entre os candidatos a receber o campeonato, apesar de adversidades. Assim como o Brasil há quatro anos, a Rússia se prepara para o evento sob os olhares atentos e as críticas sempre prontas de uma série de veículos de comunicação. Mas, ao contrário do Brasil, onde o discurso de boicote à Copa partia das ruas das grandes cidades brasileiras, que fervilhavam com protestos populares, no caso da Rússia, o desejo de que o país não receba o evento vem de fora, e por motivos distintos.

    "Em exatamente 365 dias, tudo isso começa de novo..."

    "O clima no país não era bom", afirmou à Sputnik o jornalista Eraldo Leite, presidente da Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro (ACERJ), sobre a situação do Brasil um ano antes da Copa de 2014. "Em todas as cidades, havia essa dualidade de sentimentos: a alegria pelo futebol, porque, afinal de contas, era o Brasil se preparando para sediar uma Copa do Mundo, fazendo eventos-teste, e, por outro lado, o clima era de insatisfação política reinante nas cidades", acrescentou.

    Por conta de tensões criadas após o início da atual crise da Ucrânia, políticos e outras personalidades da Europa e dos Estados Unidos, que acusam Moscou de interferir em questões internas do país vizinho, questionaram diversas vezes o direito dos russos de sediar o Mundial, ameaçando inclusive não enviar suas seleções para a Rússia. No entanto, além da questão ucraniana, nos últimos anos, parte da mídia ocidental vem buscando outras justificativas para lançar desconfianças sobre a legitimidade ou capacidade da Rússia para sediar a Copa. 

    A partir do próximo sábado, o país faz o seu grande teste para o Mundial de 2018, com a Copa das Confederações. Mesmo com uma equipe pouco empolgante a princípio, a competição servirá para dar uma ideia um pouco mais clara de como serão as coisas no próximo ano, em termos de locomoção, segurança, infraestrutura, funcionamento dos estádios, torcida etc. O país está praticamente pronto, mas algumas arenas secundárias só serão entregues no final de 2017 ou início do ano que vem. 

    "Os estádios não estavam completamente prontos", lembra Eraldo Leite sobre o caso brasileiro. "O entorno do Maracanã estava todo sendo feito, aprontado, à medida que os jogos iam chegando, iam sendo disputados. Então, a gente entregou a coisa — como é típico do brasileiro — muito em cima da hora, com os eventos já acontecendo e as obras ainda sendo terminadas", disse ele, destacando que a África do Sul passou por uma experiência semelhante e, quatro anos antes, na Alemanha, muitas obras ainda estavam sendo feitas meses antes do Mundial. 

    Na imprensa internacional, até a véspera da Copa de 2014, não faltavam artigos colocando em dúvida a capacidade do Brasil ou até mesmo decretando que o evento seria um grande fracasso. Mas, nas ruas, nas arquibancadas, nos bares, restaurantes e em todos os lugares, os brasileiros e visitantes deram show de alegria e satisfação, fazendo um evento belo e inesquecível, conforme reconheceu depois a própria mídia estrangeira. Será a Rússia, acostumada com coisas grandiosas e alvo de tantas críticas, capaz de repetir o sucesso do Brasil?

    "Eu acho que tem tudo para ser um evento espetacular. A Rússia mostrou com os Jogos de Sochi que tem capacidade de fazer uma festa bacana. Até hoje assisto no YouTube aquele vídeo do hino russo cantado a capella. É de arrepiar", comentou o servidor público Rodrigo Karl, brasileiro que cogita a possibilidade de viajar para a Rússia no ano que vem para acompanhar a luta da seleção pelo hexacampeonato. Já sobre a probabilidade de a equipe russa surpreender e desbancar seus rivais em casa, conquistando seu primeiro Mundial, o torcedor parece menos confiante. Para ele, Brasil, França e Alemanha devem ser os favoritos. 

    "Depois do 7 a 1, fica difícil não querer ver o Brasil lavando a alma."

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    futebol, Mundial 2018, Copa do Mundo, YouTube, FIFA, Eraldo Leite, Europa, Alemanha, Ucrânia, Moscou, Sochi, França, Brasil, Rússia
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